Uma palavra de consolo
Luciano R. Peterlevitz - http://www.vidanova.com.br
O SENHOR é bom, uma fortaleza no dia da angústia; ele conhece os que confiam nele. Naum 1.7
Introdução
Sabemos pouco sobre o profeta Naum. Ele não é citado em nenhum outro lugar da Bíblia, a não ser em seu livro. No entanto, é provável que a cidade em que Jesus morava, Cafarnaum, cujo significado é “vila de Naum”, seja uma homenagem ao profeta. Provavelmente Cafarnaum foi construída sobre a cidadela Elcós, de onde se origina Naum (1.1).
A mensagem de Naum é muito rica. Percebe-se isso já pelo seu nome, que significa “o Senhor consola”. Apesar de afirmar que o Senhor é “Deus zeloso e vingador” (1.2), que ele “não inocenta o culpado” (1.3), o profeta também afirma que o Senhor “demora para se irar” (1.3). Então, sua mensagem é de juízo, mas seu nome é de consolo. A ideia é que o Senhor punirá a injustiça, mas confortará aqueles que esperam por ele.
Em 1.7, encontramos uma pérola da teologia do Antigo Testamento. Nesse trecho, encontramos uma palavra de consolo, que condiz muito bem com o significado do nome “Naum”. Há, nesse verso, três afirmativas sobre Deus.
1. O SENHOR consola, porque ele é bom
Há uma pequenina frase em Naum 1.7, mas com um grande sentido teológico: “Deus é bom”. No contexto de Naum não era fácil fazer tal afirmação, pois a injustiça parecia reinar. Na época do profeta, Nínive, uma das cidades mais opressoras do mundo antigo, reinava absoluta. Ela era a capital do poderoso império assírio. Seu poderio militar era pomposo e assustador. Os povos a temiam. Era uma cidade conquistadora, que arrasava os pequenos países, levando seus habitantes como escravos, a fim de trabalharem em suas construções. Em muitos momentos, a Assíria ameaçou o povo de Deus (Is 36-39). Ela confiava em seus deuses, e julgava-se capaz de mandar em todas as nações pequenas. No meio dela, as pessoas maquinavam o mal contra as pessoas e contra Deus (1.11).
De fato, a época de Naum foi difícil, como ocorre em nossos dias: violência; opressão; sofrimento de pessoas justas; prosperidade de corruptos. Em meio ao crescimento do mal, muitas pessoas têm dificuldades de crer no amor de Deus. “Como pode Deus ser amor, se há tantas injustiças?”, perguntam. Mas a Palavra de Deus afirma que Deus é amor, independente das circunstâncias. “Deus é bom”, diz Naum, apesar de Nínive parecer indestrutível. Se você olhar para cruz de Cristo, verá o amor de Deus. Jesus amou, e amou até o fim (Jo 13.1). Deus é amor. No entanto, se você olhar ao redor da cruz, verá pessoas blasfemando, verá religiosos corruptos matando o Mestre da vida, verá um império romano perseguindo os fracos. Portanto, meu conselho é: não olhe ao redor da cruz; olhe para cruz, e contemplará o amor de Deus revelado.
Muitas pessoas não conseguem crer no Deus do amor porque avaliaram Deus pelas circunstâncias. Mas Deus é Deus, independente do que aconteça. Aprendamos com Naum!
2. O SENHOR consola, porque ele é uma fortaleza
A segunda afirmativa de Naum sobre Deus é: o Senhor é uma fortaleza no dia da angústia. Para entender essa afirmação, precisamos mais uma vez voltar à época do profeta. A injustiça propagada por Nínive iria sucumbir. Essa é a mensagem de Naum. De fato, isso aconteceu no ano 612 a.C., quando, segundo a Crônica Babilônica, uma coligação de medos e caldeus pôs fim ao império assírio. Os assírios, inimigos do povo de Deus, sofreram uma “inundação transbordante” (1.8). Segundo alguns historiadores gregos e romanos, uma grande inundação do rio Tigre derrubou as muralhas de Nínive, abrindo uma brecha para que os invasores acabassem de vez com a capital da maldade. Assim, as seguintes palavras de Naum se cumpriram: “As comportas dos rios se abrem, e o palácio é destruído. ” (2.6). Portanto, os ímpios tiveram suas muralhas rompidas pela correnteza. Não tiveram refúgio mediante o ataque do inimigo (1.8). Mas, em contraposição aos ímpios, os fiéis têm o Senhor por “fortaleza” (1.7). Mesmo que os crentes enfrentem correntezas, jamais serão arrastados. Reflita no exemplo do rei Davi: mesmo sendo perseguido pelo próprio filho, que ambicionava depor o pai para ocupar seu trono, Davi podia deitar e dormir em paz (Sl 3.5). Por quê? Porque o Senhor era o seu “escudo” (Sl 3.3). Com o coração cheio de fé, Davi afirmava: Clamo ao SENHOR com a minha voz, e ele me responde do seu santo monte (Sl 3.4). À semelhança de Davi, há tantos hoje que sofrem por problemas familiares terríveis. Os lares hoje são mais marcados por brigas e inimizades do que por paz e aconchego. Se essa é a sua situação, se as correntezas têm batido contra a sua casa, você pode levantar sua voz e afirmar que o Senhor é a sua fortaleza! Talvez a correnteza tenha invadido outras áreas de sua vida, mas saiba: quando você tem o Senhor por fortaleza, por mais forte que seja o temporal, sua vida jamais será arrasada. Na época de Naum, o Senhor estava preparando um grande livramento para Judá. O jugo de Nínive, que estava sobre o povo de Deus, seria quebrado (1.13). Judá poderia voltar novamente a celebrar suas festas (1.15). Há tantos hoje que precisam voltar a celebrar ao Senhor! E hoje é o dia de anunciar as “boas-novas” (1.15), porque o “homem vil” já passou.
3. O SENHOR consola, porque conhece aqueles que nele se refugiam
O Senhor conhece os seus. Essa é a terceira afirmação de Naum. Por várias paginas das Escrituras, podemos contemplar a maneira como Deus conhece aqueles que o servem.
O Senhor chama pelo nome
O Senhor chamou o jovem filho de Elcana e Ana pelo nome: “Samuel, Samuel”. Deus chama pelo nome! Pois o nome é o que há de mais pessoal em nós. Fico constrangido quando esqueço o nome de alguém. Afinal, o nome é a própria identidade da pessoa. Deus tinha uma tarefa especial para Samuel, e chamou-o pelo nome. Foi assim que o Senhor Jesus fez com Paulo (At 9.4). Certamente o Senhor também quer fazer uma obra através de sua vida, e ele o convoca pelo nome. Deus não chama uma multidão. Ele chama cada um, individualmente.
O Senhor conhece toda a sua vida
Deus não conhece um povo. Deus conhece cada um. Não há um fio de cabelo que caia de sua cabeça sem o Senhor saber. Ele sonda todos os seus pensamentos, conhece cada detalhe de sua vida (Sl 139.1-6) e conta cada uma de suas lágrimas. Lembre-se da mulher samaritana (Evangelho de João 4). O Senhor Jesus lhe pediu água. Mas, aquele que pediu água, na verdade, tinha a água da vida para oferecer. É a água que mata a sede da alma. E, ao oferecer essa água àquela mulher, o Senhor demonstrou conhecê-la muito bem: afirmou que ela já tivera cinco maridos, e aquele com quem morava não era seu marido (Jo 4.16-18). Jesus conhecia o passado e o presente da mulher samaritana. Era um passado marcado por divórcios e derrotas, e um presente marcado pelo pecado da fornicação. Conhecia cada detalhe da vida dela. E o Senhor ofereceu a ela a água da vida, que iria apagar o passado e o presente marcados por derrotas.
Assim, é preciso que você entenda esta verdade: o Senhor conhece suas derrotas. Ele conhece toda a sua vida. Saiba que você não é só mais um em meio à multidão. Talvez muitos não saberão o seu nome, mas ele estará registrado no Livro da Vida. O sangue de Cristo estará sobre você. O Espírito de Deus estará em você. A Bíblia diz que Deus conhece os que são seus (2Tm 2.19).Realmente o Senhor conhece aqueles que nele se refugiam! Por isso, pergunto: onde ou em quem você tem se refugiado?
Conclusão
“O Senhor consola”. Esse é o significado do nome “Naum”. Em Naum, lemos uma palavra de consolo para o coração atribulado.
O Senhor é Deus vingador para prepotentes e descompromissados com a justiça, mas é Deus Consolador para aqueles que esperam em seu nome.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Ser Nova Criatura (26/01/2010)
Ser Nova Criatura
Ricardo Barbosa - http://www.eclesia.com.br/colunistasdet.asp?cod_artigos=442
Ricardo Barbosa - http://www.eclesia.com.br/colunistasdet.asp?cod_artigos=442
Toda conversão tem sua história.
"Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2.20). É assim que Paulo, resumidamente, descreve o que aconteceu desde o dia em que Cristo se revelou a ele no caminho de Damasco. A cruz de Cristo se estendeu até ele e lá, onde Jesus foi crucificado, ele também foi. Na morte de Cristo, ele também morreu para o seu “velho homem”; e, na ressurreição de nosso Senhor, ele também ressurgiu para uma vida nova, para o “ser nova criatura”. Agora, ele reconhece que o “velho Saulo” já não vive mais, mas é Cristo que vive pelo poder do Espírito Santo nele. Trata-se de uma nova vida, efetuada agora pela fé em Cristo e naquilo que Cristo fez por ele. Isto é o que chamamos de conversão.
A conversão de Paulo tem uma história. Toda conversão, aliás, tem sua história. Ela envolve o que ele era antes, o que aconteceu e aquilo em que se tornou. Antes, Paulo era um judeu zeloso, inteligente, responsável que, segundo ele mesmo, encontrava-se acima da média dos seus colegas e buscava guardar as tradições dos seus antepassados. Paulo era um homem íntegro, coerente com tudo aquilo que cria, a ponto de se lançar numa perseguição aos cristãos por considerá-los uma ameaça à pureza da religião judaica, da qual era fiel defensor. Foi assim que ele viveu durante muitos anos. Um dia, Saulo foi para Damasco, levando consigo uma autorização dos seus superiores dando-lhe poderes para prender ou fazer o que fosse necessário, dentro do que a lei permitia, com os cristãos daquela cidade. Durante a viagem, por volta do meio-dia, uma luz brilhou com uma intensidade tão grande que jogou ele e seus colegas no chão. Ali, então, ouviu uma voz que lhe disse: “Saulo, Saulo, porque você está me perseguindo? Resistir ao aguilhão só lhe trará dor!” Ele respondeu: “Quem és tu, Senhor?” Então ouviu a resposta que dizia: “Sou Jesus, a quem você está perseguindo”. Naquele momento em que Cristo se revelou, Paulo reconheceu que tudo aquilo que pensava ser o certo, que toda a sua religiosidade que fez dele um homem tão íntegro e responsável, na verdade estava levando-o para um caminho completamente oposto ao de Deus. Ele que pensava ser um grande amigo do Senhor, fazendo o melhor que podia para preservar a pureza daquilo que cria ser sua vontade; de uma hora para outra, vê-se como inimigo de Deus ao ouvir de Cristo: “Sou Jesus, a quem você está perseguindo”. Este encontro transformou radicalmente, e para sempre, a vida de Paulo. Enquanto se encontrava ainda no chão, Jesus continuou dizendo a ele: “Agora, levante-se, fique em pé. Eu lhe apareci para constituí-lo servo e testemunha do que você viu a meu respeito e do que lhe mostrarei”. Paulo levantou-se para iniciar uma nova jornada, uma nova vida, uma nova missão. Depois de passar três anos na Arábia, ele volta para Jerusalém e inicia seu longo ministério, proclamando as boas novas do Evangelho de Cristo ao mundo. Paulo tinha uma vida como todos nós. Era um homem íntegro, zeloso e coerente com suas convicções, como alguns de nós. No entanto, quando Cristo se revelou a ele como Filho de Deus, Salvador, ele se entregou completamente. As coisas velhas ficaram para trás; suas velhas ambições foram abandonadas; seus velhos princípios, valores e conceitos, também deixados para trás. Não era mais o mundo quem determinava o que era o certo ou o errado – nem mesmo sua consciência tinha a última palavra. O que lhe importava a partir de então era Cristo, sua palavra, sua cruz, sua ressurreição, sua vontade. Temos perdido este conceito tão central e fundamental da conversão. O Cristo que queremos servir não é mais aquele que se revela, mas um que nós criamos a partir daquilo que nos interessa. Não somos mais convertidos a ele, mas é ele quem se converte a nós. A vida cristã não significa mais o “ser nova criatura”, mas permanecer sendo a mesma criatura, apenas com um leve toque de verniz religioso. Não queremos deixar nada para trás; não pretendemos nos despir do “velho homem” com suas manias, vícios, pecados e hábitos imorais; não queremos abrir mão das ambições mesquinhas; muito menos, das vaidades infantis. Não é mais a voz de fora que fala conosco, mas uma voz de dentro, uma voz que nasce do medo, das inseguranças e dos desejos confusos e neuróticos que definem a natureza da fé. Precisamos recuperar o significado de dizer: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Precisamos voltar a viver pela fé no Filho de Deus, e não pelos impulsos da nossa natureza caída ou atraídos pelo fascínio de uma cultura que nega a cruz de Cristo. Precisamos reconhecer mais uma vez que o chamado de Cristo envolve a renúncia e a radicalidade de um discipulado no qual o Filho de Deus permenece sendo o Senhor da Igreja. Num cenário de esvaziamento ético e frouxidão moral, os cristãos são chamados mais uma vez a dar testemunho de esperança através de uma vida comprometida com os propósitos de Deus para sua criação. A sobrevivência da humanidade dependerá da integridade daqueles que sustentam o testemunho da graça de Deus.
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