quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Nossa espiritualidade é... (30/12/2009)

Nossa espiritualidade é...
Humberto Ramos - http://visaointegral.blogspot.com

Nossa espiritualidade (ou religião, ou crença, ou religiosidade, classifique como quiser) é aquilo que vivemos fora dos ambientes da religião. Começa com nosso café da manhã, perpassa nosso trabalho, almoço, café da tarde, na maneira como você e eu dirigimos até nossas casas, o jeito com que tratamos nossos familiares e como planejamos o dia de amanhã.

Não precisa haver um relatório com ênfase matemática comparando o número de acertos versus o número de erros a cada dia. Erros e acertos serão uma constante, vontade de caminhar corretamente é decisão; coragem para voltar atrás é hombridade; humildade para se reconhecer falho e necessitado do próximo e de Deus é dignidade.

Se você e eu evidenciamos nossa fé com a roupa que vestimos, ela se constitui então em uma fantasia; se somente nos cultos parecemos cheios de fé, somos então personagens de uma apresentação pública, um tipo de teatro; se nossas palavras não condizem com nossas ações, somos bipolares; se falamos mais que agimos, somos apenas verborrágicos.

Não será fácil resolver esse problema. Só que podemos tentar! Tentar ser nós mesmos diante daquilo que de fato acreditamos; também podemos ser sinceros em assumir que não conseguimos agir como gostaríamos; honestos o bastante para pregar contra nós mesmos, de forma que a nossa fé seja mais verdadeira que nós, isso também exige coragem! Daí será um bom começo. Teremos mais legitimidade para falar, para ser ouvidos e para até mesmo nos calar.

Acho que é bem por aí!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mau testemunho (08/12/2009)

Mau testemunho 
Luiz Sayão

Qualquer evangélico conhece a famigerada expressão “mau testemunho”. A advertência dos púlpitos sobre o tema é histórica. Os pastores e pregadores sempre enfatizaram a necessidade de não causar escândalo aos descrentes, levando-os ao distanciamento da fé, de Cristo e da igreja. Infelizmente, parece que hoje não vivemos dias promissores com respeito a essa questão.
O impacto do mau exemplo é devastador. Em nossos dias, uma das comprovações do efeito terrível do mau exemplo associado à má fama no cenário internacional é a dos Estados Unidos. A poderosa nação americana teve uma trajetória ascendente meteórica desde a Segunda Guerra Mundial. Os EUA passaram a ser vistos como nação libertadora, defensora dos ideais democráticos e igualitários. Era a expressão da liberdade! A derrota imposta ao nazismo e o enfrentamento à opressão comunista soviética e chinesa renderam aos norte-americanos uma simpatia internacional aparentemente duradoura.
No entanto, nos últimos anos, os EUA parecem ter desprezado a importância de uma boa imagem no exterior. O país entrou numa guerra desastrosa com o Iraque, que parece tornar-se um novo Vietnã. Além de ter desprezado a ONU, o governo americano não conseguiu comprovar as justificativas da guerra, sacrificou milhares de soldados e acendeu o estopim de um conflito civil iraquiano que parece não ter fim. O fato é que a nação hoje é vista como imperialista, opressora, anti-ecológica, repressora cruel de imigrantes e inimiga do Terceiro Mundo. Pouca gente comenta o fato, mas, surpreendentemente, o governo Bush tem conseguido realizar o sonho de Fidel Castro e Che Guevara: uma América Latina mais vermelha do que nunca. A esquerda tem crescido como uma espécie de efeito anti-EUA. Hoje, Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Equador, Bolívia, Venezuela e Nicarágua possuem governos de esquerda. Sendo que Venezuela, Equador e Bolívia mostram uma tendência de radicalização esquerdista.
Sem querer entrar no mérito da questão, é fato notório o desgaste da imagem americana no mundo e na América Latina. Esse desgaste atinge o movimento missionário dos EUA. Conversando recentemente com um amigo que vive em Portugal, ele me contou que um missionário no mundo árabe chorou num encontro, afirmando que as decorrências de 11 de dezembro causaram um atraso de 700 anos na obra missionária entre os povos de fala árabe. Lamentável!
Quando olhamos para as Escrituras, a necessidade da “mensagem através da vida” é fundamental. Vejamos o que nos diz a Bíblia:
“Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mt 5.14-16).
"Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso, ou como quem se intromete em negócios alheios. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome” (1 Pe 4.15,16).
“Mas se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe seria amarrar uma pedra de moinho no pescoço e se afogar nas profundezas do mar. Ai do mundo, por causa das coisas que fazem tropeçar! É inevitável que tais coisas aconteçam, mas ai daquele por meio de quem elas acontecem!” (Mt 18.6,7).
Como se pode constatar, o testemunho cristão é parte integrante da mensagem anunciada. Para a maioria das pessoas, a “comprovação” da mensagem cristã está na vida dos que foram alcançados por ela. A vida fala mais alto e convence. O contrário também é verdadeiro. Como é trabalhoso evangelizar depois de tantas guerras religiosas, divisões, inquisição, crimes sexuais de religiosos, abusos de poder e uso indevido do dinheiro. O desafio é muito grande.
Talvez o maior impacto do testemunho cristão hoje seja decorrente da realidade cultural pós-moderna em que vivemos. O fato é que nós, protestantes e evangélicos, elaboramos nossa teologia evangélica no arcabouço da modernidade. Assim, nossa apologética sempre foi marcada pela comprovação racional, lógica e científica da fé cristã. Dezenas de livros e artigos foram escritos para mostrar a razoabilidade da fé e da doutrina cristã. A verdade é que não vivemos mais num mundo sensível a esse tipo de discurso. A mera exposição racional da fé cristã não atinge o homem contemporâneo.
Na modernidade, o homem procurava a explicação e a razoabilidade da fé; na pós-modernidade, o homem quer saber se somos coerentes com o que cremos. O indivíduo pós-moderno não se importa tanto com a comprovação lógica das coisas; seu interesse é descobrir se de fato acreditamos no que dizemos a ponto de vivermos e morrermos por aquilo.
Já o grande filósofo dinamarquês Kierkegaard, um dos precursores do mundo pós-racionalista, afirmava que alguém pode negar uma verdade científica (como foi o caso de Galileu), para preservar sua vida, sem que seja criticado por isso. Ninguém imagina que seria razoável fazer o oposto! Todavia, se uma pessoa nega a fé para se preservar, isso é inaceitável.
A verdade da fé, conforme Kierkegaard, é a verdade pela qual estou disposto a morrer. Ela é distinta da verdade científica. Ainda que essa perspectiva mereça críticas por seu subjetivismo, observemos como essa mentalidade é o paradigma predominante hoje. A maioria dos não-religiosos não se importa com a comprovação da fé e sua apologética criteriosa. No entanto, eles criticam os cristãos pelo seu procedimento incoerente. Há pouca crítica a outras religiões pelo mesmo motivo. No entanto, a idéia da supremacia cristã está na mente da maioria da população. Por isso, o cristianismo deve ser mais responsabilizado! Se o índio pagão mata, o budista japonês faz guerra, o muçulmano pratica escravidão, a maioria se cala; mas se é um cristão, a crítica é dura. De quem mais se espera, mais se cobra. No fundo, a maioria sabe da singularidade de Jesus de Nazaré e de sua doutrina.
A verdade é que o mundo de hoje está sedento e ansioso por respostas sobre a vida e sobre a morte. A argumentação apologética e a prova racional ainda têm lugar. No entanto, o que fará diferença é a nossa maneira de viver. Que as palavras de Paulo ressoem em nossos ouvidos para o benefício do Evangelho: “Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam. Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor”.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A poeira e o vento (04/12/2009)

A poeira e o vento
Guilherme Ávilla Gimenez - http://www.vidanova.com.br

O vento sopra onde quer, e ouves o seu som; mas não sabes de onde ele vem nem para onde vai; assim é todo que é nascido do Espírito (Jo 3.8)
Alguém definiu avivamento como o “o sopro de Deus para tirar a poeira acumulada no decurso dos anos, no período variável de tempo compreendido entre o avivamento anterior e o momento atual” (Revista Ultimato). Possivelmente Jesus Cristo deve ter pensado nessa limpeza quando conversava com Nicodemos (Jo 3). Podemos dizer que Nicodemos fazia parte de um grupo de religiosos empoeirados. Aliás, ele era um dos mais empoeirados. Era líder e não recebera esse título à toa. Na cultura farisaica, o líder seria aquele que carregava de modo impecável toda a tradição e a declarava como sendo a maior riqueza de sua vida (Lawrence H. Schiffman). Os fariseus valorizavam a masorti (tradição) como valor fundamental da religião e declaravam sua validade por todo o tempo, até a vinda do Messias. Como não reconheceram Jesus como tal, continuaram a manter a tradição judaica. Por certo estavam ‘empoeirados’ pelo passar de tantos anos sem mudança.

Em uma conversa franca e feita às escondidas — talvez para que a poeira não fosse vista facilmente — algumas verdades sobre a vida de Nicodemos vieram à tona. A primeira delas é que mesmo sendo fariseu — ou seja, religioso — ele não tinha convicções espirituais. Literalmente se escondia atrás da religião. Defendia sua fé, mas desconhecia o Senhor. Ao detectar isso, Jesus afirmou diretamente: “Você precisa nascer de novo” (v. 3). Em outras palavras: “Não dá para consertar você... temos que começar do zero...”. E esse recomeço não estava relacionado ao farisaísmo, mas sim a Nicodemos. Ele é que precisava mudar. Ele é que deveria experimentar o novo nascimento.

Outra verdade da vida de Nicodemos é que, apesar de sua preparação acadêmica e religiosa (“Tu és mestre em Israel”, v. 10), ele não tinha relacionamento com Deus. Sua religiosidade tratava de coisas terrenas e humanas, mas não das espirituais (v. 12). Os fariseus haviam transformado a religiosidade em “tradição humana”. Por isso temos no Novo Testamento expressões como: “tradição dos anciãos” (Mt 15.2, Mc 7.3), “vossa tradição” (Mt 15.3, 6) e “tradição dos homens” (Mc 7.8, Cl 2.8). Por estar tão preso à tradição humana ele desconhecia o amor de Deus, a vida eterna e outros assuntos espirituais (v. 13-21). Nicodemos era um religioso perdido, mestre na tradição, mas aluno reprovado na fé.
Qual seria a esperança de Nicodemos? Primeiramente a salvação, que ele aparentemente não tinha. Mas com ela um avivamento, um soprar do vento de Deus para tirar do lugar toda a poeira acumulada dos últimos anos. E, se considerarmos a opinião de Lawrence H. Schiffman, Nicodemos deveria ter mais do que trinta anos de farisaísmo para ocupar um cargo de liderança. Imagine quanta poeira não ficou acumulada durante esse tempo todo.

Naquela noite, a vida de Nicodemos passou por uma grande transformação. O vento de Deus soprou sobre ele de uma maneira singular, e ele experimentou grande avivamento pessoal. Ainda hoje o vento de Deus continua a soprar produzindo efeitos semelhantes. Não é o “movimento do ar”, mas sim o “movimento de Deus”. É Deus limpando, tirando a poeira e revitalizando vidas. Essa manifestação surpreendente de Deus recoloca a igreja em seu primeiro amor, produz convicção e confissão de pecado, desejo sério de santificação pessoal, renovação das certezas da fé e do entusiasmo que elas criam, renúncia da soberba e da autossuficiência, anseio por Deus e prazer de ler com proveito a Palavra e de orar ao Senhor. O avivamento leva a igreja a redescobrir a pessoa e a obra do Espírito Santo, sem o qual nunca será possível vencer o pecado, a pressão do mundo e a força do mal.

Na história, foram registrados alguns ventos de Deus que produziram grandes resultados. Eles foram chamados de Grandes Avivamentos. Graças ao primeiro (1725-1760) e ao segundo (meados do século seguinte), muitas escolas, universidades e seminários cristãos foram fundados nos Estados Unidos. Entre as Universidades estão as de Princeton, Pensilvânia, Rutgers, Brown e Dartmouth. Por meio dessas instituições de ensino, o espírito de avivamento era transmitido a muitos jovens. Charles Dodge, um dos três teólogos mais famosos do século 19, por exemplo, converteu-se por ocasião de um avivamento na Universidade de Princeton (1815). Nessa época, muitos jovens tornaram-se missionários. Em 70 anos de história (1812-1882), o Seminário de Princeton formou 3.464 rapazes em 150 cursos diferentes. Destes, 204 foram para os campos missionários — como Ashbel Green Simonton, fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil. Todos os primeiros missionários da Junta Americana de Comissionados para Missões Estrangeiras, fundada em 1810, são frutos do avivamento. Entre eles estão Hiran Binghan, missionário no Havaí; Adoniram Judson, missionário e tradutor da Bíblia na Birmânia (hoje Myanmar); Luther Rice, missionário na Índia; e Jonas King, missionário na Palestina e, depois, na Grécia. Pelo menos quarenta estudantes convertidos na Universidade de Rochester, no estado de Nova York, tornaram-se pastores e missionários. Entre as dezenas de sociedades missionárias surgidas como resultado do Segundo Grande Avivamento está a histórica Sociedade Bíblica Americana (1816). No avivamento ocorrido na Universidade de Yale, no Connecticut, em 1831, o jornalista Horace Bushnell (1802-1876) teve uma profunda experiência de conversão e, aos 29 anos, trocou o curso de direito pela teologia, tornando-se um pastor congregacional e teólogo notável.

Quando o vento de Deus sopra, muitas vidas se convertem. Segundo Bruce Shelley, em 3 anos (1740-1742), o Primeiro Grande Avivamento acrescentou cerca de 50 mil membros só às igrejas da Nova Inglaterra. Entre 1750 e 1760, formaram-se 150 novas comunidades eclesiásticas, sem falar na contínua proliferação dos batistas. Williston Walker, da Universidade de Yale, acrescenta que — por intermédio dos reavivamentos, das organizações missionárias e das sociedades voluntárias — denominações outrora sem grande expressão vieram a se destacar. Os metodistas, de 15 mil membros em 1784, passaram a mais de 1 milhão em menos de 70 anos. Na primeira metade do século 19, os batistas aumentaram oito vezes. Só em Rochester, no estado de Nova York, 100 mil pessoas tornaram-se membros de alguma igreja.

O mais notável em todo esse movimento de Deus é que ele começa individualmente. Jesus não falou que os fariseus deveriam nascer de novo, mas sim Nicodemos. Ele é que precisava de convicção espiritual e relacionamento com Deus. Era sua poeira que precisava ser removida. Nós, individualmente, precisamos desse vento que leva para longe os traços de uma vida reprovada por Deus. No entanto, o importante a destacar é que, após a poeira ser retirada, o vento continua a soprar, com muito mais intensidade, para nos dirigir, nos movimentar, e nos levar para onde Deus nos quer. Aquele que é nascido de Deus é levado pelo vento. Não o vento das falsas doutrinas, do entusiasmo humano ou do emocionalismo descomprometido, mas sim o vento de Deus, a ação direta de Seu Espírito, que nos faz crentes limpos e nos leva a promover limpeza nesse mundo contaminado pelo pecado.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Você ama a Deus? (03/12/2009)

Você ama a Deus?
Ricardo Gondim - http://www.ricardogondim.com.br

Você me perguntou se eu O amava. Sim. Não hesito: amo a Deus com o que me resta de força, intuição e siso. Confesso não compreender o significado real desse verbo. Como soletrar amor? Como posso amar quem nunca vi? O que conheço de Deus para dizer tal coisa? Para piorar, nada sei sobre o amor.
Mas meu amor por Deus, por algum motivo, se alastra em minha alma. Saí das formulações categóricas a seu respeito. Desdenho das descrições metafísicas de uma filosofia medieval, do rigor dos catecismos beligerantes, das lógicas fundamentalistas. Empolgo-me com Deus porque já não o percebo com objeto de estudo. Ele não está lá, em algum recôndito espiritual, transcendental, paradisíaco, nirvânico, esperando ser adulado, pesquisado, definido. Percebo Deus na vida, com tudo o que ela tem de beleza e de horror. Vejo Deus nos verdes matizados da floresta, no vigor dos mares, na poeira que a bruma espalha, nas mudanças bruscas do tempo. Eu o intuo também nos rostos sofridos, nas festas alegres, nas derrotas desesperadas e nos triunfos espetaculares.
Meu amor por Deus, não sei explicar, enraíza-se em minha alma. Quebrei as réguas legalistas da religião, elas sobrecarregavam meus ombros; eram jugos que me azucrinavam. Eu vivia com paranóia. Não o tenho como o Grande Olho, que tudo vigia e tudo cobra. Despedi o Deus intolerante com as inadequações, iracundo com os tropeços de homens e mulheres que, apesar de tudo, lutam pela vida. Diante de olhos paternos, tabus e interditos abrandaram, culpas infundadas e autocomiseração manipulada enfraqueceram. A religiosidade da sofreguidão empoeirou-se em minha alma. Rasguei as cortinas que só vazavam a luz mortiça de um mundo espiritual cruel. Adornei o tabernáculo da minha espiritualidade com vitrais coloridos. Convidei músicos. Recitei poesia. Quero transformar meu culto em festa.
Meu amor por Deus, com segurança, se intensifica. Aprendi que ele não é um títere. Tardei, mas aceitei que a história não está escrita e selada. Resignifiquei a liberdade como desafio para a responsabilidade. Voltei as costas para a Divindade que atropela, misteriosa, que esconde desígnios, que manipula fatos e que usa as pessoas para satisfazer projetos gloriosos. A linguagem hermética da teleologia, os paradoxos da teodicéia, o anacronismo da doutrina da predestinação sumiram da minha rede de sentidos. Sinto-me livre para relacionar-me com o Dançarino. Ele me convida para ser seu par na valsa do grande baile universal.
Meu amor por Deus, agora sei, tornou-se mais inspirado. Distancio-me de chavões, reluto contra os clichês que já usei para me convencer de convicções que nunca possuí. Ciente de meus sentimentos irregulares, eu me escondia na linguagem piedosa. Ah, como tentava ostentar o que não era. Assumi a fragilidade de minhas certezas. Engatinho na leveza dessa relação com o Amigo mais chegado que um irmão. Reconheço que em determinados momentos meu amor não passa de puro sentimentalismo - que também se mistura com militância e racionalidade. Sou assim, mas eu me sinto sinto liberto e feliz de saber que aprendo a amá-lo do meu jeito, sem despersonalizar-me.
Soli Deo Gloria

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A esperança vence a desilusão (01/12/2009)

A esperança vence a desilusão
Ricardo Barbosa de Sousa - http://www.eclesia.com.br

Mesmo que as notícias piorem cada dia, eu ainda continuarei a ter a esperança de um dia ver este país ser governado por gente decente

Às vezes, me vem uma vontade enorme de chutar o balde! Penso em desistir, parar de lutar por um país melhor, sonhar com políticos altruístas, abnegados, que ajam como verdadeiros sacerdotes da nação. Minha vontade é de anular meus votos nas próximas eleições, pois ninguém os merece. Parece que o melhor, o mais sensato, é viver alienado, como muitos; não dar a mínima para a política, ignorar o país e cuidar da minha vida.
Confesso que diante de situações como as que estamos vivendo, tudo isso me passa pela mente. Manter a esperança quando a gente se sente traído é como querer permanecer de pé com as pernas quebradas. Por mais que nos esforcemos, não dá – não há mais nada em que se apoiar. Então, sem a utopia que nos motiva, jogamos a toalha e nos entregamos ao cinismo, aquela descrença que toma conta da alma e nos rouba os sonhos mais nobres.
Tais sentimentos passam por mim e chegam a me fazer considerar que este é, provavelmente, o melhor caminho. Mas, em algum momento, parece que enfrentam uma espécie de resistência interna. Eles não chegam a corromper totalmente meu coração e minha mente; lentamente, volto a me recompor e a reconsiderar a fonte dos meus sonhos e esperanças. Vejo então que elas não podem se sustentar num alicerce tão frágil e efêmero como o das ambições insanas pelo poder.
O apóstolo Paulo, ao referir-se à fé de Abraão, disse que o patriarca “esperava contra a esperança”. Abraão cria numa promessa que, embora teoricamente impossível, lhe fora feita por Deus. As chances de acontecer aquilo que o Senhor lhe havia prometido eram mínimas – para dizer a verdade, nenhuma; mas ele creu, e sua fé lhe encheu de esperança. E o que dizer de Habacuque, um profeta de Deus preocupado com seu país e o futuro de sua gente? Aflito, ele perguntou a Deus: “Até quando, Senhor, terei que conviver com a injustiça e opressão?” A princípio, qualquer um esperaria uma intervenção divina eliminando a iniqüidade e trazendo de volta a retidão. No entanto, a resposta de Deus surpreende o profeta: os conflitos, ao invés de diminuírem, iriam aumentar. Ele, sem entender, prefere calar-se e permanecer atento ao que Deus iria fazer.
Habacuque nos dá uma das lições mais preciosas sobre esperança. Diante da devastação, da corrupção, da injustiça e do sofrimento, ele não a perdeu. Na sua oração, o profeta diz: “Mesmo não florescendo a figueira, e não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos; ainda assim, eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação. O Senhor, o soberano, é a minha força; ele faz os meus pés como os do cervo; faz-me andar em lugares altos.”
De onde Abraão e Habacuque tiraram sua confiança? Os fatos que presenciaram conspiravam contra qualquer esperança. Abraão não tinha motivos para acreditar que, em sua velhice, pudesse ainda ter filhos. Parecia coisa de lunático, projeção da sua carência. Da mesma forma foi com Habacuque. Esperar o quê? O exército dos caldeus estava marchando sobre sua terra. Anunciava-se uma devastação total, uma crise sem precedentes. No entanto, ambos creram na ação misteriosa e soberana de Deus.
O apóstolo Paulo afirma que permanecia sempre disposto, cheio de esperança e trabalhando arduamente porque, mesmo que seu homem exterior – presenciando as circunstâncias políticas e sociais, a falência dos projetos humanos ou as limitações da ciência – sofresse os golpes fatais da desilusão, seu homem interior, aquele lugar onde a fé nutre a esperança, ia se renovando dia após dia. A crise moral, política e ética que vivemos hoje serve de alerta para nos fazer ver de onde temos alimentado a esperança. O slogan da campanha vitoriosa do presidente Lula dizia que “A esperança venceu o medo” e encheu muita gente de ânimo, Mas hoje, o medo e a desilusão rondam de novo a esperança. Olhamos para o futuro e não enxergamos nada; as possibilidades de mudança evaporaram. Na melhor das hipóteses, quem sabe, poderemos sonhar com um governo que seja mais esperto, que esconda melhor as tramas do poder, os caixas dois e os favores políticos. Talvez poderemos também sonhar com uma reforma política, destas para inglês ver, que servirá apenas para, mais uma vez, iludir eleitores sonhadores.
Mas a esperança é nutrida pela fé, e não fé em um partido, um político com discurso moralista, religioso ou ideológico. Nossa esperança, hoje e sempre, é sustentada pela Palavra de Deus, pela certeza de que o Senhor reina e que conduz todos as coisas para o fim que ele mesmo determinou. É por causa dele e do seu Reino que continuamos a lutar incansavelmente até que haja justiça. É por causa da fé que podemos dizer como Habacuque – ainda que o poder continue corrompendo os mais nobres ideais; ainda que a maioria dos políticos não mereçam nossa confiança; ainda que malas de mensalões continuem circulando nos corredores do poder; ainda que a mentira permaneça na boca daqueles que juraram dizer só a verdade; mesmo assim, eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação.
Não pretendo chutar o balde, muito menos me juntar aos alienados. Mesmo que as notícias piorem cada dia e o mercado dê sinais de agitação e intranqüilidade, ou ainda que aqueles em quem um dia eu confiei me decepcionem e os sonhos que um dia acalentei se frustrem, eu ainda continuarei a sonhar e ter a esperança de um dia ver este país ser governado por gente decente. Líderes que sejam servos do povo, que aspirem ao sacerdócio e não ao poder, que lavam os pés uns dos outros e não se curvam diante daqueles que oprimem e amam a iniqüidade e não a justiça. Continuo tendo esta esperança porque sei em quem tenho crido, e sei que somente nele minha esperança repousa.



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Bem-amado (27/11/2009)

Bem-amado
Anne Cetas - http://nossoandardiario.com

Estávamos reunidos com a família para o jantar de Ação de Graças, quando alguém perguntou se cada um poderia compartilhar um motivo de gratidão. Falamos um de cada vez. Josué de três anos era grato pela “música” e Natã de quatro anos estava agradecido pelos “cavalos.” Entretanto, todos nós ficamos em silêncio quando Estevão (que em breve completaria cinco anos) respondeu: “Eu sou grato porque Jesus me ama tanto.” Na simplicidade da sua fé, ele compreendeu e estava agradecido pelo amor de Jesus por ele, individualmente. Também nos disse que Jesus demonstrou o Seu amor morrendo na cruz.
O apóstolo Paulo queria que os cristãos da igreja de Éfeso compreendessem o quanto Deus os amava e orou: “A fim de poderdes compreender […] qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade conhecer o amor de Cristo (Efésios 3:18-19). Ele orou para que eles estivessem arraigados e alicerçados nesse amor.
Para nos firmarmos no amor de Deus seria útil revisarmos estes versículos com frequência e memorizá-los. Também podemos dedicar alguns minutos cada dia para agradecer ao Senhor por maneiras específicas através das quais Ele demonstra Seu amor por nós. Isto nos ajudará a crescer na fé e a sermos gratos — como Estevão — porque Jesus nos ama “tanto.” —AMC

Para renovar o seu amor por Cristo, redescubra o amor de Cristo por você.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Alegria "fora de hora" (26/11/2009)

Alegria "fora de hora"
 Ed René Kivitz - http://www.ibab.com.br

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. (Tiago 1.2-4)

Tiago, irmão de Jesus, escreveu uma carta aos cristãos que estavam sofrendo perseguição. Eles haviam sido expulsos de Jerusalém e deixado para trás seus bens, familiares e amigos. Estavam começando vida nova em outro lugar, e precisavam construir novos relacionamentos, redefinir sua carreira profissional e ainda por cima se defender dos ataques daqueles que se opunham à sua fé em Jesus Cristo.

Um dos conselhos de Tiago para aqueles cristãos em situação tão adversa foi que deveriam receber com alegria as tribulações e provações que a vida colocava diante deles. Tiago justificou seu conselho apresentando três conseqüências das tribulações.

As tribulações provam a nossa fé, isto é, revelam a qualidade dos alicerces onde construímos nossas vidas. Outra maneira de dizer isso é que as tribulações nos mostram quem de fato somos. Muitas pessoas vivem iludidas em relação a si mesmas, e por esta razão constroem suas vidas em alicerces falsos - e vice-versa. Cedo ou tarde estes alicerces são desmascarados e tudo o que está sobre eles pode ruir, como por exemplo: auto-estima, esperança, prazer de viver, relacionamentos, sonhos de futuro, carreira profissional. As situações da vida que confrontam nossos alicerces existenciais são de fato oportunidades extraordinárias para nos reinventarmos, tanto substituindo o que identificamos como inadequado, quanto no desenvolvimento do que identificamos frágil.

As tribulações produzem perseverança, isto é, nos fortalecem para enfrentar a vida. O ditado popular diz que "Deus dá o frio conforme o cobertor". Acredito nisso. Acredito que o exercício de viver nos coloca diante de desafios proporcionais à maturidade. Uma é a dificuldade da criança, outra, do adolescente, e outra, dos adultos que já não acreditam em Papai Noel e já deixaram a prepotência juvenil de lado. As dificuldades que enfrentamos no caminho nos ajudam a encarar a vida e continuar andando rumo ao futuro desejado. À medida que vamos encarando e superando as tribulações, vamos perdendo o medo de cara feia, até que a vida mostra sua face mais terrível e se surpreende com nossa capacidade de superá-la.

Finalmente, as tribulações nos fazem pessoas maduras e íntegras, sem falta de nada. Atravessar tempos difíceis exige de nós a descoberta e o desenvolvimento de recursos interiores. As tribulações nos tiram todos os pontos externos de apoio: nos sentimos solitários, incompreendidos e injustiçados; perdemos posição, status e privilégios, além de dinheiro e conforto; e descobrimos que as bases onde escorávamos nossa identidade e as fontes de onde tirávamos forças para viver eram falsas ou insuficientes. Nesse momento, olhamos para dentro e para o alto. E descobrimos uma fé mais amadurecida, que nos aproxima mais de Deus, e recebemos a coragem de continuar vivendo. Estranhamente, vamos percebendo que precisávamos de bem menos do que imaginávamos para a nossa felicidade, até que surpresos, nos deparamos com a sensação de que muito embora o mundo lá fora esteja em convulsão, o mundo de dentro do coração, está em paz e serenidade. Quando chegamos nesse ponto de integridade (integralidade) é que passamos a desfrutar dos poucos recursos, dos amigos raros e das pequenas alegrias do dia-a-dia como suficientes para a felicidade. Aí sim, somos homens e mulheres de verdade. Construídos na forja das tribulações. Livres das ilusões. Prontos para viver, dar e construir. 

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Adestramento cristão (24/11/2009)

Adestramento cristão
Ariovaldo Ramos - http://www.ariovaldo.com.br/


Crente é um bicho estranho. Você grita “AMÉM?” e ele responde gritando o mesmo. Se perguntar pela segunda vez, ele responderá mais alto. Se no meio do louvor você gritar “pule na presença do Senhorrrrrrrr”, então eles pulam. Se você dançar de modo estranho, verá correspondência imediata nas pessoas.
Sua linguagem é facilmente influenciável por jargões. Basta pegar qualquer expressão bíblica cujo significado seja obscuro para a maioria, e pronto! Também colam as expressões inventadas que possuem aparência de espiritual, como por exemplo “ato profético”. Difícil de crer que nem existe esta expressão na Bíblia né?
Facilmente também estereotipamos outras coisas que fazem do crente um ser quase alienígena: os lugares que frequenta, o conteúdo de suas conversas e a aversão às coisas “do mundo”.
Pena quem os crentes não são condicionados a obedecer a todo tipo de “comando”. Parece que o adestramento a que foram submetidos possui limitações. Nem todos aceitam sugestionamentos que os levem a renunciar a seus interesses; ou dividirem suas posses com os necessitados; ou mesmo disponibilizar tempo para aqueles que estão abandonados em asilos, orfanatos e nas ruas.
Ah… antes que eu me esqueça, quero deixar claro que amo os crentes. E exatamente por ser um deles é que me incomodo tanto com estas coisas incompreensíveis que aceitamos passivamente em nossa conduta.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Religião de consumo (19/11/2009)

Religião de consumo
Humberto Ramos - http://visaointegral.blogspot.com/

“Se vocês desejam receber todas as dádivas aqui mencionadas, aceitem a Jesus! Assim como ele me abençoou, poderá te abençoar também. Basta que você entregue sua vida a ele!”, esse tem sido o final dos discursos na maioria das igrejas da atualidade. Conta-se um testemunho fantástico e sugere-se que Jesus fará o mesmo com quem se aproximar dele. Não vou me restringir aqui à igreja evangélica, pois tenho notado uma grande aproximação de conteúdo entre evangélicos e católicos, principalmente os carismáticos.

Ora, não há nada de errado em proclamar as grandes maravilhas que Deus tem realizado na vida pessoal de cada um. Não há problema em testemunhar milagres. Afinal, cremos mesmo que o Senhor é poderoso para nos assombrar com seus gestos.

Na verdade, o que deve ser questionado nestes apelos é a superficialidade do conteúdo. A fé cristã possui mais de dois mil anos de história; e algo muito básico mudou nas pregações dos “porta-vozes” do Evangelho. Não se prega mais arrependimento!

Quem leu o Evangelho sabe que a sua mensagem principal é o chamado ao arrependimento. Ele é uma oferta de anistia ao homem rebelde. O converso à fé cristã não era atraído por possibilidades temporais, status, conforto ou segurança material que Jesus poderia lhe dar. Pelo contrário, nos primórdios seguir a Jesus era como se apossar de um selo que o distinguia de todos; um selo que evidenciaria sua escolha e que o tornaria alvo de perseguições. Claro, a mensagem subversiva do Evangelho por si mesma era uma afronta aos religiosos judeus, ao império romano e aos valores da sociedade de seu tempo – o Evangelho na sua essência ataca a religiosidade mórbida, despreza os poderes terrenos e propõe um estilo de vida extravagante que se opõe duramente aos valores deste mundo.

“Arrependei-vos, pois é chegado o Reino de Deus”, proclamou Jesus logo ao iniciar seu ministério (Mt 3. 2). Essa também era a pregação de João Batista, quando anunciava acerca da manifestação do Messias (Jesus). Também foi essa a pregação de Pedro no seu primeiro sermão público: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”. Estes são alguns dentre os vários textos nos quais a humanidade é chamada ao arrependimento para perdão dos pecados.

E arrependimento era entendido por uma mudança de pensamento. Conversão não significava ceder ao assédio proselitista de pregadores sectaristas. O converso passava a enxergar a si mesmo, a Deus e à humanidade com outros olhos. Caiam-se as escamas e este, pela pregação do Evangelho, tinha sua visão ampliada. De forma que este novo homem, agora, tinha consciência de si mesmo – e a partir daí, da vida em sua totalidade. Ele não ia até Jesus para ganhar alguma benção material, embora ela pudesse acontecer e talvez também fosse esperada, mas o verdadeiro converso aceitava o Evangelho por ter compreendido sua situação diante de Deus e entendido que era carente de perdão.

E tudo isso era acompanhado de mudança de conduta, como no caso de Zaqueu, o publicano, que se comprometeu a restituir àqueles a quem abusou quando do exercício de suas funções de cobrador de impostos (Lc 19. 2-9).

Hoje tudo tem sido bem diferente. Basta ligarmos a televisão e assistir-mos aos programas religiosos. O que vemos e ouvimos são convites para um tipo de aglomeração que mais se parece com uma reunião para compras num centro comercial. Algumas instituições religiosas transformaram-se em supermercados e shoppingns da fé. Nestes lugares não importa se você conhece ou não alguém, se há identificação entre consumidor e vendedor, se a propaganda é boa ou honesta, não importa se você gosta dos outros consumidores ou se terá algum tipo de comunhão com eles. Para os donos do negócio, o mais importante é que você tenha alguma quantia de dinheiro, há produtos de todos os preços. E para os consumidores, basta que o produto seja instantâneo e eficaz!

A velha galeria dos heróis da fé, que era fator de motivação para se caminhar com Deus ainda que na adversidade, foi substituída pela galeria de mercadorias da fé. A dispensa que antes era guardadora de bens de toda sorte que deveriam ser distribuídos entre os cristãos foi trocada por prateleiras de produtos que são comercializados em rituais de uma religião de consumo. Uma religião que só é eficaz para aqueles que podem se sacrificar financeiramente. Uma fé mesquinha que não se preocupa com a dor do próximo – ainda que finja descaradamente que sim.

Estamos vivendo o tempo da religião da inafetividade. Essas “igrejas” não formam comunidades de fé. Não possuiem, em contraste com as igrejas de outrora, reuniões para comunhão, não se fala dos dons que Deus concede a cada crente para que sirva ao seu próximo, não se fala de transformação social, não se apregoa afeto.

E o Evangelho, onde ele está no meio disso tudo? Bem, há alguns anônimos que o têm pregado por aí. Há algumas comunidades humildes e sinceras que o têm vivenciado; há alguns pregadores que ainda não se venderam à religião do mercado; há alguns que ainda se opõem a tudo isso. Muitos destes, de tanto resistir às pressões, chegam a se questionar sobre a validade de sua luta.

Não deve mesmo ser fácil viver uma vida simples e observar os novos “apóstolos” esbanjando glamour e riqueza nos seus carros importados, encastelados em mansões, exercendo influência considerável diante de uma enorme massa de fiéis...

No entanto, Graças a Deus, estes questionamentos não são nada além de alguns segundos de devaneios, que são solapados pelo sentimento de asco que toma conta destes corações legitimamente pastorais, fazendo com que eles permaneçam olhando para o alvo, e, assim como Jesus, rejeitem as ofertas de Satanás.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tempo de quietude (18/11/2009)

Tempo de quietude
Ricardo Agreste

Na vida do rei Davi, os desertos se tornaram o convite de Deus para um tempo de contemplação e reflexão.
Eu estava de saída para uma viagem a Santiago do Chile, a fim de participar de uma conferência com pastores e líderes locais. Ainda no aeroporto, aguardando o vôo, conversava com Deus sobre o meu momento de vida. Dentre muitas coisas, pedia ao Senhor sabedoria e orientação diante do cenário que me envolvia. Semanalmente, novas oportunidades surgiam diante de mim; novas demandas emergiam em minha agenda e novas conversas aqueciam meu coração para projetos aparentemente fascinantes.
Estava preocupado diante de tudo aquilo que acontecia. Sei que uma das razões que fazem com que homens e mulheres de Deus acabem por se perder, mesmo que bem intencionados em suas motivações iniciais, é a falta de uma clara percepção acerca do mover de Deus em suas vidas. Muitos passam a entender que toda oportunidade que surge é uma porta aberta pelo Senhor, ou que toda demanda que emerge é um desafio lançado pelo Espírito Santo. Há também aqueles para quem qualquer conversa que lhes aqueça o coração é uma visão de Deus que precisa ser assumida.
Para os que enxergam a vida nesta perspectiva, o mover de Deus acaba se confundindo com o empreendedorismo de nossos tempos ou com o anseio insaciável de nossas almas por sermos tidos como pessoas relevantes diante do mundo. Para gente assim, o mover de Deus sempre as convida para um tempo de ir, correr e vencer. Não existe a possibilidade de o Senhor chamá-las a um tempo de ficar, aquietar-se e renovar-se. Por isso mesmo, querendo conquistar o mundo, acabam, infelizmente, perdendo a própria alma. Em meio às muitas oportunidades, demandas e desafios, confundem a ação do Senhor com as expectativas do meio ou com os anseios de seus próprios corações.
Na vida do rei Davi, os desertos se tornaram o convite de Deus para um tempo de contemplação e reflexão. Ele era um homem movido por desafios e com constante ímpeto para a ação – por isso, parece que somente em meio às adversidades ele encontrava tempo para redimensionar seu próprio coração. Assim, quando lemos as orações de Davi no livro de Salmos, percebemos um homem sondando sua própria alma e procurando perceber a ação de Deus em sua vida. Em situações de adversidades, dores e aflições, Davi se convencia de que seu Deus não o convidava constantemente a ir, correr e vencer; mas, em algumas ocasiões, o impelia a ficar onde estava, aquietar o coração e renovar sua alma.
Maria, irmã da superativa e dinâmica Marta, viveu uma situação diferente. Em sua vida, o tempo de ficar, aquietar-se e renovar-se não é fruto de uma situação criada por Deus, mas de opções que precisava fazer. Cercada por gente constantemente voltada para a ação, que enxergava cada oportunidade como porta aberta pelo Senhor, cada demanda como um desafio do Espírito e cada conversa como visão de Deus, torna-se normalmente mais difícil encontrar espaço para aquela reflexão espiritual. Mas Maria rompe com seu ambiente, resiste às expectativas que as pessoas à sua volta tinham acerca de si e resolve sentar-se aos pés de Jesus para ouvi-lo. Jesus, por sua vez, encoraja a opção feita por Maria, demonstrando que na caminhada cristã há, sim, tempo de simplesmente ficar, aquietar-se e renovar-se.
Mas o maior exemplo de que Deus nos convida a esses momentos encontra-se na própria vida de Jesus. Em seu curto ministério terreno, Cristo tinha um enorme desafio diante de si. As demandas eram inúmeras; as necessidades, infindas, e as frentes de trabalho, imensas. No entanto, vemos nos Evangelhos episódios em que o Filho de Deus sobe montes ou procura lugares desertos a fim de simplesmente ficar, aquietar-se e renovar-se na presença do Pai. Apesar da pressão das multidões, ele afastava-se em submissão ao mover de Deus para um tempo de silêncio e descanso. No entanto, este não era um tempo de contraponto à sua missão – mas sim, um espaço integrante e essencial na mesma.
Durante uma manhã livre naquela viagem a Santiago, um querido e antigo amigo me levou para subir as cordilheiras até um lugar chamado Vale Nevado. Fomos e voltamos conversando sobre muitas coisas. Há muito tempo não tinhamos oportunidade de nos falar. No entanto, em meio às muitas palavras e diante de paisagens fantásticas, deparei-me com uma cena que me chamou a atenção. Do local, podiamos contemplar um enorme e fantástico monte coberto de neve. Seu aspecto era imponente e fascinante. Era impossível passar por ali sem admirá-lo. Mas ainda no mesmo foco de visão, bem mais próximo de nós, na margem da estrada, inúmeras árvores com seus galhos completamente secos contrastavam a imponência e fascínio da montanha branca.
Minha atenção ficou dividida entre as duas cenas contrastantes. Foi então que meu amigo, olhando para aquelas árvores, disse: “Interessante, não? Elas parecem mortas. Quem olha pensa que não resistiram ao inverno. No entanto, estão assim porque, percebendo o rigor da estação fria, concentram suas forças e energias no caule. As folhas caíram e os galhos secaram, mas toda a sua vitalidade encontra-se concentrada no caule. Para elas, agora não é o tempo de florescer, mas de resguardar-se para, no tempo certo, voltar a produzir folhas, flores e frutos. Este é o ciclo da vida.”
Ouvindo aquelas palavras e tendo os meus olhos fixos naquelas árvores, ouvi a resposta de Deus para a oração que havia feito antes de partir do Brasil. Nem sempre é hora de ir, correr e vencer. Existem tempos em que o Senhor nos convida a ficar em sua presença, e ali aquietar nossa mente e renovar nossa alma. Em meio a tantas coisas e situações que nos envolvem, precisamos ter a sensibilidade para perceber que o Senhor, por vezes, não deseja que façamos tudo ou aceitemos todos os desafios. Existe também o tempo em que seu mover nos convida a concentrarmos nossas forças e energias no que é essencial e imprescindível: a nossa relação com ele.
Às vezes, como acontecia na vida de Davi, Deus precisa criar desertos em nossa história para nos convencer desta verdade. Noutras situações, assim como o fez Maria, podemos exercitar nosso poder de decisão contra o meio que nos impele a constante atividade, optando por simplesmente quedar-nos aos pés de Cristo. Mas também podemos olhar para Jesus e perceber o convite para vivermos em maturidade, integrando este tempo como parte essencial e imprescindível da missão de Deus para as nossas vidas.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Coragem para ser (17/11/2009)

Coragem para ser
Humberto Ramos - http://visaointegral.blogspot.com

Ser quem nós realmente somos talvez seja o nosso maior desafio na caminhada da vida. Isso porque esta decisão pode implicar em desagradar outras pessoas (ou pelo menos não agradar a todas), desapontar aqueles que criam certas expectativas em relação a nós, decepcionar os que nos admiram tendo apenas uma visão parcial daquilo que somos ou até mesmo nos conhecendo somente pela aparência.

Assim sendo, não são todos que possuem coragem para assumir sua própria e verdadeira personalidade. Alguns escolhem esconder-se atrás de uma personagem, uma fantasia pública que oculta uma série de aspectos intrínsecos à identidade pessoal. São estes os hipócritas, os mentirosos, os artistas da vida real.

Conheço muitos mentirosos, até mesmo tenho alguns amigos que, eu bem sei, mentem muito a respeito de si mesmos. São o tipo de gente que chamamos de “contadores de vantagem”, em tudo se dão bem, sempre possuem uma faceta extraordinária para contar; existem também os que se anulam totalmente para esconder características e fatos, em suas opiniões, vergonhosos ou desapontadores. Não raras pessoas vivem disso, enganando aos outros e a si mesmas. Porque é isso que a mentira é: a ilusão da auto-enganação.

O grande problema não percebido pelos mentirosos de carteirinha é que uma das pistas para a felicidade é justamente ser que nós somos na essência. Não importa a situação financeira, o status quo, ou qualquer outra coisa. Ainda que queiramos modificar algo em nós mesmos – não há problema nisso –, a melhor trilha a percorrer é a que reconhece e dá a conhecer aos outros quem somos no momento em que o somos.

Representar uma personagem por muito tempo sufoca. É um fardo inútil e castigador, e isso qualquer um que já abandonou suas máscaras pode confirmar. Isto se deve ao fato que, quando deixamos a essência e vivemos pela superficialidade das máscaras, deixamos a liberdade do “eu” para servirmos ao um outro “eu” – avassalador, exigente e cruel.

Infelizmente, ao longo dos meus dias, tenho podido conhecer a vida de muitos amigos e irmãos, muitos deles sufocados em suas fantasias públicas, mentirosas. Posso atestar que sofrem, e sofrem porque, no caso deles, muitas das vezes é realmente duro ter que assumir quem são. Mesmo assim, sempre procuro encorajar para que vivam em honestidade para com eles mesmos e para com os seus chegados.

Particularmente, a cada dia encontro mais liberdade, ao passo que vou me libertando de máscaras simplórias, que nada dizem de verdade ao meu respeito. Encontro-me cada vez mais livre, ao passo que deixo de lado minhas próprias defesas e o peso do desejo de ter que agradar sempre, ou convencer sempre, ou não decepcionar sempre...

Assumir-se a si mesmo é tarefa custosa, é desafio perene, é nadar quase sempre contra a maré, e só toma tal decisão quem já se tornou maduro em sua humanidade. Estamos em processo de constante evolução pessoal, a maturidade é nosso alvo! Só quem caminha ao seu encontro (da maturidade) caminha ao encontro de si próprio, confirmando sua consciência e adquirindo forças para voar mais alto.

Os imaturos, esses, sim, estão perdidos na multidão, visto que estão perdidos em relação a si próprios, alienaram-se a ponto de não saber mais quem são.

É preciso coragem para ser, contudo quem já a possui está na via certa, e, sem dúvidas, está próximo de encontrar a liberdade e satisfação pessoal.

“Ser ou não ser, eis aí a questão...” Só consegue ser quem na verdade é o que é!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Diretoria 2010




Parabéns a nova diretoria da Mocidade para o ano de 2010 !!

Presidente: Gil
Vice-Presidente: Dani
Missões: Jaque Chu
Eventos: Hué
Louvor: Jenni

"Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. Então disse aos seus discípulos: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita"."
Mateus 9:35-38

"Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil."
I Co 15:58

Oração simples (16/11/2009)

Oração Simples
Ed René Kivitz - http://www.ibab.com.br

Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita. A Bíblia Sagrada ensina que se deve orar a respeito de tudo. Orar por qualquer motivo, qualquer hora, qualquer lugar, sempre que o coração não estiver em paz. Tão logo o coração experimente apreensão, preocupação, medo, angústia, enfim, seja perturbado por alguma coisa, a ação imediata de quem confia em Deus é a oração.

O apóstolo Paulo diz que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, devemos apresentar nossos pedidos a Deus, tendo nas mãos a promessa de que a paz de Deus que excede todo o entendimento, guardará nossos sentimentos e pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.6,7). A expressão "coisa alguma" inclui desde uma vaga no estacionamento do shopping center quanto o fechamento de um negócio, o desejo de que não chova no dia da festa quanto a enfermidade de uma pessoa querida.

Esta experiência de oração é chamada de oração simples: orar sem censura filosófica ou teológica, orar sem se perguntar "é legítimo pedir isso a Deus?" ou "será que Deus se envolve nesse tipo de coisa?". Simplesmente orar.

A garantia que temos quando oramos assim é a paz de Deus em nossos corações e mentes. A Bíblia não garante que Deus atenderá nossos pedidos exatamente como foram feitos: pode ser que a vaga no estacionamento não seja encontrada e que chova no dia da festa. A oração não se presta a fazer Deus trabalhar para nós, atendendo nossos caprichos e provendo o nosso conforto. Já que a causa da oração simples é a ansiedade, a resposta de Deus é a paz. O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora. A mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, a mudança do coração e da mente da pessoa que ora é uma realidade. Deus não prometeu dizer sim a todos os nossos pedidos, mas nos garantiu dar paz e nos conduzir à serenidade. Não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte, mas nos garantiu que estaria lá conosco e nos conduziria em segurança através dele.


O maior fruto da oração não o atendimento do pedido ou da súplica, mas a maturidade crescente da pessoa que ora. Na verdade, a estatura espiritual de uma pessoa pode ser medida pelo conteúdo de suas orações. Assim como sabemos se nossos filhos estão crescendo observando o que nos pedem e o que esperam de nós, podemos avaliar nosso próprio crescimento espiritual através de nossos pedidos e súplicas a Deus. As orações revelam o que realmente ocupa nossos corações, o que realmente é objeto dos nossos desejos, o que nos amedronta, nos desestabiliza e nos rouba a paz.

O apóstolo Paulo diz que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Mas quando se tornou homem, deixou para trás as coisas de menino (1Coríntios 13.11). Não existe oração certa e errada. Mas existe oração de menino e oração de homem. Oração de menina e oração de mulher. A diferença está no coração: coração de menino e de menina, ora como menino e menina. A nossa certeza é que Deus também gosta de crianças.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Dinheiro - bênção ou maldição? (12/11/2009)

Dinheiro ― bênção ou maldição?


Paulo afirma que o amor ao dinheiro é raiz de todos os males (1Tm 1.10). Por que será que nenhuma sociedade escapa dos grandes males criados pelo sucesso? A resposta estaria no fato que o narcisismo acaba minando todos os valores. O servo dessa preocupação com nosso bem-estar é o dinheiro, que tem a força para nos captar em sua rede, do mesmo modo que um animal é capaz de tirar sua própria perna para se libertar de uma armadilha.

Não ignoramos que o dinheiro é um valor que pode abençoar quem recebe ou dá. Paulo escreveu em sua Segunda Carta aos Coríntios sobre a importância do dinheiro para socorrer os necessitados (caps. 8 e 9).
Queremos entender melhor o que a Bíblia tem para nos dizer a respeito dessa tão útil e perigosa ferramenta, que pode tanto fazer o bem como o mal.
A bênção do dinheiro
Quando Deus criou o homem, abençoou-o e deu a ele o privilégio de dominar, mas sempre como mordomo do Senhor (Gn 1.28). Após a queda, o desejo pelo domínio cresceu e rapidamente a humanidade se esqueceu da responsabilidade de usar as coisas materiais para a glória de Deus e para o bem de todos.

Quando Jesus ensinou que é mais abençoado dar do que receber (Atos 20.35), não é dito que é necessário receber primeiro para poder dar. A fonte de tudo que recebemos é Deus. Sua generosidade se manifesta todo dia em que ele providencia as condições para produzir suprimentos de toda espécie para manter a vida, além de tudo que seja útil para manter a proteção e conforto. Toda atividade econômica depende do Criador que supre as condições necessárias para realizá-la.

Deus nos criou para gozar de vida corpórea e espiritual. Posses devem sustentar a vida do corpo ― casa, alimento, transporte e fornecer mil outros produtos. Os livros que comunicam a verdade eterna às nossas mentes são apenas um exemplo. Paulo refere-se à bondade de Deus ao declarar para o povo de Listra, “não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria” (At 14.17). A bênção de Deus sobre o mundo material, em benefício do homem, é um sinal do amor de Deus por todos. Dinheiro fornece um meio eficiente para distribuir os benefícios doados por Deus e repassar a fartura para os necessitados.

Jesus confrontou o jovem rico com a surpreendente declaração de que somente vendendo tudo que tinha e dando o resultado aos pobres teria o privilégio de ser discípulo e ganhar a vida eterna (Mc 10.21). A bênção seria rejeitar o amor ao dinheiro e, em seu lugar, alcançar um amor real pelo próximo. O sacrifício material no tempo presente garantiria a bênção maior no futuro – “terás tesouro no céu”. O galardão que aguarda todos que ajuntam tesouros no céu é glorioso e seguro (aí não há ladrões, nem qualquer tipo de destruição de perda, Mt 6.20). “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (v. 21).

Fica claro que a única maneira de mandar riqueza para o céu é usando dinheiro para beneficiar os necessitados; pode ser materialmente ou espiritualmente. Dar generosamente aos necessitados é o melhor de todos os investimentos. Seu retorno será grande e sua felicidade eterna.
A maldição do dinheiro
O apego aos valores materiais assedia a maioria dos homens. Possuir dinheiro e tudo que ele pode comprar dá satisfação e segurança. O desejo de adquirir mais do que necessitamos alimenta o egoísmo natural que faz parte do mundo que a Palavra de Deus nos proíbe amar (1Jo 2.15). O avarento não tem herança no reino de Deus (1Co 6.10). “O amor ao dinheiro é raiz de todos os males” (1Tm 6.10). Basta notar a frequência de notícias de corrupção nos altos escalões do governo para perceber que dinheiro é uma forte fonte de tentação.

A maldição das posses é muito sutil. Poucas pessoas reconhecem o seu perigo. A maioria pensa que ganhar mais dinheiro demonstra a bênção de Deus sobre a vida. Em alguns casos, é verdade. Mas, na realidade, a falta de dinheiro pode ser o caminho da bênção, porque humilha, rebaixando os homens ao nível de mendigos. Tornam-se dependentes da graça de Deus, e alvos do amor dos irmãos na fé. A maldição invade nossas igrejas se não há generosidade. A prática da igreja de Jerusalém não nos incentiva a cuidar dos órfãos e viúvas, mesmo diante da declaração que “religião pura e sem mácula” é cuidar dos órfãos e viúvas (Tg 1.27).

Um dos casos bíblicos mais impressionantes relata a consequência maldita da mentira de Ananias e Safira (At 5.1-11). Esse casal crente, da igreja de Jerusalém, vendeu uma propriedade. A avareza os levou a concordar em reter uma parte do preço e oferecer a Deus o resto. Mentiram, afirmando que a quantia depositada “aos pés dos apóstolos” era o valor total. O resultado foi a morte sumária dos dois. Por quê? Não foi porque não ofereceram tudo para o Senhor, mas porque mentiram, desejando apresentar-se mais desprendidos do que na realidade foram.

Outra surpresa na Palavra é descobrir que é possível distribuir todos os bens entre os pobres sem amor (1Co 13.3). Se assim for, não há proveito nenhum para o doador. Com isso, Deus quer nos ensinar que podemos dar com motivos errados. Sacrifício material, sem amor, não agrada a Deus e não acarreta benefício algum para o doador. Seguramente muitos filantropos oferecem somas grandes para acolher aos necessitados, mas eles não recebem nenhum proveito diante do Juízo do universo. Joan Kroc, herdeira da fortuna da cadeia mundial de lanchonetes McDonald’s, doou ao Exército de Salvação de San Diego, na Califórnia, 80 milhões de dólares. No juízo final, será revelado se a sra. Kroc terá algum benefício em troca dessa razoável oferta.
Conclusão
O privilégio de ser mordomos de Deus, pelo uso das riquezas deste mundo, deve nos segurar diante da tentação da avareza. A maldição do dinheiro somente se transforma em bênção quando o Espírito Santo produz o seu bendito fruto em nossas vidas. Esse fruto é amor e benignidade (generosidade) (Gl 5.22). Vence-se a maldição por meio do Espírito de Cristo que cria uma vida em benefícios dos outros, em lugar do narcisismo feroz.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Liderança não é para qualquer um (10/11/2009)

Liderança não é para qualquer um


O exercício da liderança é um privilégio e uma responsabilidade de poucos. Usando nossa linguagem teológica, as "pessoas dons" (Efésios 4: 11) são sempre em número muito menor do que as "pessoas com dons" (Efésios 4: 12).

As pessoas dons são responsáveis pela eficácia (fazer as coisas certas) e a eficiência (fazer as coisas da maneira certa) da organização. Quando você tem um problema de liderança, você tem um problema de líderes, e não de liderados. Espera-se, portanto, que os líderes sejam líderes, isto é, tenham no mínimo, uma visão clara do futuro para onde conduzem seus liderados, uma sensibilidade aguçada para que este futuro seja fruto dos sonhos e anseios dos liderados e um senso de responsabilidade para com a organização/organismo, pois os líderes não são servos dos liderados, mas servos da visão comum. Servir os liderados é a maneira como os líderes servem à visão, e não sua finalidade essencial.

Diante destas responsabilidades, acredito que ninguém será capaz de exercer satisfatoriamente a função de liderança, sem o desenvolvimento de pelo menos três capacidades.

A capacidade de conviver com a solidão. Líderes são líderes porque enxergam, percebem, sentem, sabem, estão dispostos a sacrifícios, possuem paixão diferenciados em relação aos liderados. Um líder na média dos seus liderados é um liderado que está no lugar errado, a saber, ocupando a posição de líder. Águias não voam em bandos.

A capacidade de tomar decisões impopulares. John Kennedy disse que o segredo do fracasso é "tentar agradar todo mundo". O líder deve sempre tentar construir consenso, mas deve ter coragem para tomar decisões e assumir responsabilidades. Caso contrário, será um "facilitador de discussões", e não um líder de fato.

A capacidade de conviver com críticas. Como se diz no popular, "nem Jesus Cristo agradou todo mundo". Nesse caso, uma vez que o líder se posiciona, assumindo sua responsabilidade de levar todo mundo rumo ao bem comum, certamente contrariará interesses particulares, e conseqüentemente será alvo de palavras duras e imerecidas. Sempre.

Eis as razões porque o exercício da liderança não é para qualquer um.





segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Servir: privilégio de poucos (09/11/2009)

Servir: privilégio de poucos
Ed René Kivitz - http://www.ibab.com.br/artigos.html

É natural ao coração humano a busca de conforto, status, poder e tudo quanto vem agregado a estas realidades. Tiago, João e sua mãe foram até Jesus solicitar tais privilégios na consumação do reino de Deus. Jesus não disse nem que sim, nem que não, mas aproveitou para reforçar que o reino de Deus é reino de servos e, portanto, os servos são os verdadeiros governantes do mundo. No reino de Deus, o privilégio e o ônus de governar não é das "pessoas importantes", mas dos servos, até porque, governar é servir. No reino de Deus, a maneira de governar não é exercendo domínio sobre os governados, mas servindo os governados, até porque, governar é servir. Na lógica do reino de Deus, o oposto também é verdadeiro: servir é governar.

Para servir é necessário sair da zona de conforto, isto é, fazer o indesejado, dedicar tempo para tarefas pouco atraentes, assumir responsabilidades desprezadas pela maioria, fazer "o trabalho sujo", enfim fazer o que ninguém gosta de fazer. Para servir é necessário vencer o orgulho, isto é, se dispor a ser tratado como escravo, ter os direitos negligenciados, ser desprestigiado, sofrer injustiças, conviver com quase nenhum reconhecimento, enfim, não se deixar diminuir pela maneira como as pessoas tratam os que consideram em posição inferior. Para servir é necessário abrir mão dos próprios interesses, isto é, pensar no outro em primeiro lugar, ocupar-se mais em dar do que em receber, calar primeiro, perdoar sempre, sempre pedir perdão, enfim, fazer o possível para que os outros sejam beneficiados ainda que ás custas de prejuízos e danos pessoais.

Não é por menos que em qualquer sociedade humana existem mais clientes do que servos. Servir não é privilégio de muitos. Servir é para gente grande. Servir é para gente que conhece a si mesma, e está segura de sua identidade, a tal ponto que nada nem ninguém o diminui. Servir é para gente que conhece o coração das gentes, de tal maneira que nada nem ninguém causa decepção suficiente para que o serviço seja abandonado. Servir é para quem conhece o amor, de tal maneira que desconhece preço elevado demais para que possa continuar servindo. Servir é para quem conhece o fim a que se pode chegar servindo e amando, de tal maneira que não é motivado pelo reconhecimento, a gratidão ou a recompensa, mas pelo próprio privilégio de servir. Servir é para gente parecida com Jesus. Servir é para muito pouca gente.

A comunidade cristã - a Igreja, pode e deve ser vista, portanto, como uma escola de servos. Uma escola onde aprendemos que somos portadores do dna de Deus, dignidade que ninguém nos pode tirar. Uma escola onde aprendemos que, por mais desfigurado que esteja, todo ser humano carrega a imagem de Deus. Uma escola onde aprendemos a amar, e descobrimos que, se "não existe amor sem dor", jamais se ama em vão. Uma escola onde aprendemos que "mais bem aventurada coisa é dar do que receber".

Servir é mesmo privilégio de poucos. De minha parte, preferiria ser servido. Mas aí teria de abrir de mão do reino de Deus. Teria de abrir mão de desfrutar do melhor de mim mesmo. Teria de abrir mão de você. Definitivamente, me custaria muito caro. Nesse caso, continuo na escola.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A paciência ou a perseverança de Jó? (06/11/2009)

A paciência ou a perseverança de Jó?
Guilherme Ávilla Gimenez - Texto extraído do site: http://www.vidanova.com.br/

 Esperar é uma virtude. Em um mundo de tantas pressões e correria, é raro encontrar pessoas que tenham a disciplina da espera, que consigam aguardar a sua vez, ouvir e até mesmo sofrer algum prejuízo em razão da espera. A grande maioria das pessoas não para. Elas entraram no ritmo desenfreado da pós-modernidade e não conseguem mais aguardar; esperam que tudo seja feito com rapidez e cobram agilidade dos outros ainda maior. A paciência é algo cada vez mais precioso, e cada vez menos se ouve a conhecida frase: ‘aquela pessoa tem paciência de Jó’.

Jó é conhecido na Bíblia por causa do seu sofrimento. Não é fácil perder todos os seus filhos, sustento financeiro e saúde em uma mesma ocasião. Isso sem contar com a provocação da própria esposa que, em vez de chorar a morte dos filhos, ficou ‘’atazanando’ a vida do marido. Associar Jó ao sofrimento humano é algo coerente. Agora, dizer que Jó era paciente já é outra história. Aliás, saiu da boca do próprio Jó a expressão: “Qual é a minha força, para que eu aguarde? Qual é o meu fim, para que eu tenha paciência?” (6.11). Aparentemente Jó não se julgava o ‘senhor paciência’. Os capítulos 4 a 27 de seu livro trazem uma discussão vigorosa entre ele e seus amigos, e ali não são vistos muitos traços de uma pessoa paciente. A expressão que deu a Jó fama de paciente não está em seu livro, mas sim em Tiago 5.11. É bom notar, porém, que a palavra ‘paciência’ ali registrada foi substituída por ‘perseverança’ nas versões NVI ou NTLH. Até mesmo os estudiosos da Bíblia não acharam a palavra ‘paciência’ muito adequada para Jó.

Por mais que tento não consigo associar paciência a Jó. Seria mais fácil dizer que Moisés, Noé ou até Davi foram mais pacientes do que ele. É preciso ter verdadeira paciência para resistir a 40 anos de peregrinação com um povo reclamão, passar 40 dias dentro de um navio cheio de animais fedorentos ou resistir à perseguição do próprio filho sem perder a cabeça. Essas personagens teriam mais condição de serem chamadas de ‘homens pacientes’ do que o próprio Jó. Digo isso porque verificamos que, na narrativa do livro que leva seu nome,  há uma série de perguntas, descontentamentos, dor e até mesmo impaciência da parte de Jó diante de tanto sofrimento. Jó não foi uma personagem pacata ou indiferente à dor: ele reagiu, chegando mesmo a questionar com profundidade sua situação.

Por que então associamos Jó à paciência? Possivelmente por causa da sua perseverança. Por algum motivo, temos uma interpretação equivocada do que é paciência. Achamos que alguém paciente é uma pessoa pacata, calada, que não exige seus direitos ou não reclama se alguém passa à sua frente na fila. Paciência é interpretada como pobreza de espírito, e particularmente já ouvi que pessoas pacientes não conseguirão subir muito na vida. Pensamento equivocado! Paciência não é isso. Pessoas verdadeiramente pacientes são aquelas que, em meio a provas, descontentamentos ou dor, têm uma disciplina de espera capaz de lhes dar resistência diante de situações que não merecem ação imediata. Paciência tem a ver com resistência e não propriamente com inatividade. Pessoas pacientes reivindicam seus direitos, ficam iradas e até mesmo podem reagir com determinada intensidade diante de uma situação grave. A questão é que, por serem pacientes, conseguirão dominar seu ímpeto e manter o controle. Essa é a essência da paciência: disciplina, domínio próprio, capacidade de esperar a hora certa. Por esse motivo, a palavra ‘perseverança’ cai melhor do que ‘paciência’ para Jó.

Jó teve uma longa e sofrida espera, mas, mesmo assim, até diante da sua própria indignação relacionada à providência divina, aguardou confiante. Sua motivação em esperar não se devia a uma paciência passiva, mas sim, a uma perseverança inabalável. Mesmo rodeado por sentimentos terríveis, por sensações destrutivas e por amigos não tão sábios em seus conselhos, Jó manifestou perseverança que, segundo o dicionário, é uma atitude de firmeza ou constância. Enquanto a paciência é vista como uma espera passiva, de quem observa os fatos e talvez até se deprima diante deles, a perseverança é uma espera cheia de convicção, de força, que nos mantém firmes apesar de ainda não conseguirmos visualizar um escape completo.

Todos nós passaremos por situações difíceis na vida. Diante delas podemos ficar passivos ou então nos enchermos de perseverança. O resultado de uma escolha ou outra pode ser visto no fim da vida de Jó. O último capítulo de seu livro relata logo no início que o resultado de sua escolha foi uma experiência com Deus como nunca tivera antes (Jó 42.1-5). Dizia agora que seu conhecimento de Deus não era apenas por ouvir falar. Não era aquele conhecimento que obtivemos porque alguém nos relatou, mas sim porque nós o vivenciamos. A perseverança de Jó produziu nele uma transformação interior que o levou a um estágio mais avançado de confiança. Jó saiu de uma experiência trágica melhor do que entrou. E isso se deveu à sua perseverança.

Prefiro olhar para Jó como sendo um homem perseverante e não apenas paciente. O patrimônio que o exemplo dele deixa para nós é valioso e deve ser repetido. Que sejamos sempre perseverantes, e que a disciplina da espera gere em nós não a tristeza ou cansaço, mas sim o ânimo de quem confia no Senhor e sabe que ao final de tudo estará mais forte do que no  início.

Tenhamos a perseverança de Jó!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A doença do ressentimento e cura do amor (05/11/2009)

A doença do ressentimento e cura do amor
Guilherme Ávilla Gimenez - Texto extraído do site: http://www.vidanova.com.br/


Hellen Janosik, em seu livro Crisis Counseling, diz que o ressentimento é um dos principais causadores de doenças emocionais. Fazendo uma relação entre o emocional e o físico, ela conclui: “seríamos muito mais sadios se substituíssemos o ressentimento pelo perdão.” Os neuróticos anônimos argumentam que o ressentimento “de modo geral, nos tiram a alegria de viver, tornando-nos pessoas mesquinhas, amargas, fofoqueiras, cheias de dores, desagradáveis, não confiáveis, e bloqueadas para amar. Se os ressentimentos se forem acumulando, vamos passar à depressão, solidão e problemas físicos de saúde.” O ressentimento, de fato, nos faz adoecer. Dethlefsen e Dahlke, analisando a origem das doenças, apontam o ressentimento como uma das causas do câncer (A DOENÇA COMO CAMINHO. Editora Cultrix).

Na antiguidade, alguns médicos já relacionavam sentimentos com doenças, como Cláudio Galeno (129 d.C.), o mais importante médico da antiguidade depois de Hipócrates. Em sua autobiografia intitulada Sobre meus próprios livros, aliás, considerada a primeira autobiografia da história, ele argumenta que “nos recônditos da alma estão a causa da grande maioria das enfermidades“. (A HISTÓRIA DA MEDICINA. Antonio C. N. Britto. Faculdade de Medicina da Bahia). Como bem disse William Shakespeare (1564-1616), "Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra.” Pessoas ressentidas adoecem e sofrem. Você é uma delas?

Todos têm razões para guardar ressentimentos, afinal, quem nunca foi ferido, afrontado, magoado, desprezado, traído, entristecido, enfim, quem nunca sofreu? Conviver com pessoas é correr riscos. Quando passamos por situações que nos trazem sofrimento, nós ficamos tristes e magoados, e esse sentimento, naquele momento, é até próprio. Porém, se o tempo passou e você continua sentindo a mesma coisa, é sinal de que está ressentido. A palavra ressentimento significa literalmente ‘sentir de novo’. E aqui se levanta uma importante pergunta:

– Por que continuar sofrendo por um problema já acontecido? Qual será o motivo que nos leva a repetir sensações e sentimentos que tanto nos prejudicam?

Charles Swindoll diz que o ressentimento é como uma corrente que nos aprisiona a um fato ou a uma pessoa (CHRISTIAN LIFE. Publishing House). E o pior é que nós mesmos nos aprisionamos. Nós é que sofremos. Nós é que perdemos a alegria dos relacionamentos e da vida. As pessoas podem até ser atingidas por nosso ressentimento, mas o maior afetado é aquele que se ressente. Ele acaba desperdiçando seu tempo, vivendo em função de sentimentos de amargura, perseguição, vingança e outros tão ou mais negativos que esses.

A Bíblia diz que o ressentimento pode ser combatido com o amor. Onde há amor não existe ressentimento, pois o amor não comporta tal sentimento. Entre as tantas qualidades do amor descritas em 1Coríntios 13, lemos claramente: “não se ressente do mal.” O verbo ressentir aqui é tradução do grego logizomai que literalmente significa ‘contar ou pesar duas vezes.” Infelizmente, algumas pessoas contam dezenas, centenas ou milhares de vezes uma tristeza ou decepção e, em função disso, não conseguem se libertar das correntes do ressentimento.

Jesus diz que devemos amar o próximo e até os inimigos (Mateus 5.44; 22.39). Somente o amor nos faz ter relacionamentos sadios e sem ressentimentos. Se você está repetindo seus sentimentos de tristeza, decepção ou amargura mesmo depois que o tempo já sepultou uma situação, talvez seja hora de pedir a Deus o amor suficiente para perdoar e seguir em frente na caminhada da vida. J.C. Ryle diz que a frase de Jesus na cruz, “perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lucas 23.34), demonstra como podemos vencer os ressentimentos e reconstruir relacionamentos.

Jesus deixou na cruz as afrontas, Ele não as carregou para o futuro (FÉ GENUÍNA. Editora Fiel). Nós podemos e devemos agir como Jesus: deixar as afrontas, as mágoas, as tristezas e as decepções, enfim, deixar os sentimentos antigos no passado, exatamente na ocasião em que eles surgiram. Carregar sentimentos assim no coração é como se autoflagelar.

Ame a pessoa que te afrontou. Ame aquele que te decepcionou. Ame a quem te feriu. Ame os que te prejudicaram. Amando conseguiremos nos livrar dos ressentimentos e teremos mais saúde física, emocional e espiritual.
Deste que deseja a você uma vida saudável e permeada pelo amor de Jesus.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Conhecimento e Obediência (04/11/2009)

 Conhecimento e Obediência
 Bill Crowder - Texto retirado do site do Nosso Andar Diário [ link ]


Quando estudei numa faculdade cristã, um nome ocasionalmente mencionado na aula de grego era o de Granville Sharp. Ele foi um renomado estudioso da língua grega (1735–1813), cujos estudos resultaram em princípios de interpretação bíblica, que ainda orientam o nosso entendimento da língua original do Novo Testamento.
Estudar as Escrituras e aprender as poderosas verdades que nelas existem é um exercício nobre, mas por mais que a estudemos, nunca será o suficiente. Tiago nos desafiou a entender isso ao escrever: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência” (Tiago 1:22-24).
Granville Sharp entendeu isso e colocou sua fé em prática. Além de ser um estudioso da Bíblia, lutou pela erradicação da escravidão na Inglaterra. Sharp disse: “A tolerância à escravidão é, na verdade, a tolerância à crueldade.” Sua compreensão bíblica sobre o valor da alma humana e da justiça de um Deus santo o compeliram a agir em favor de suas crenças.
Podemos nos beneficiar da paixão de Sharp pela Palavra — e pelo desejo de viver pelas verdades que ela contém. —WEC

Conhecemos a Bíblia somente quando a obedecemos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Blog IVN está de volta

Olá pessoal,

O Blog da Igreja Vida Nova está de volta !!! Estarei atualizando e "embelezando" na medida do possível !!!. Aqui irei colocar a programação da Mocidade e da Igreja além de compartilhamentos etc.... Espero que possa ser um espaço para ampliarmos nossa comunhão em Cristo !!!

"E Ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." 2 Co 5:15

Foto da Semana 




Escala de Domingo (08/11)





Avisos !!!


- No próximo Sábado (7/11), a mocidade estará indo ajudar no Bazar da Holiness das 10 hrs até as 17 hrs. Quem puder ajudar com mao de obra ou financeiramente !!! Segue o link da Holiness (Bosque): http://www.holinessbosque.org.br/contato/index.html . Qualquer dúvida, falar com a Dani ou a Jaque Chu


- Dia 14/11 vai ter eleição da Mocidade !!! Peço para que compareçam, pois é muito importante !!! E orem para que Deus conduza cada detalhe !!!