quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Religião de consumo (19/11/2009)

Religião de consumo
Humberto Ramos - http://visaointegral.blogspot.com/

“Se vocês desejam receber todas as dádivas aqui mencionadas, aceitem a Jesus! Assim como ele me abençoou, poderá te abençoar também. Basta que você entregue sua vida a ele!”, esse tem sido o final dos discursos na maioria das igrejas da atualidade. Conta-se um testemunho fantástico e sugere-se que Jesus fará o mesmo com quem se aproximar dele. Não vou me restringir aqui à igreja evangélica, pois tenho notado uma grande aproximação de conteúdo entre evangélicos e católicos, principalmente os carismáticos.

Ora, não há nada de errado em proclamar as grandes maravilhas que Deus tem realizado na vida pessoal de cada um. Não há problema em testemunhar milagres. Afinal, cremos mesmo que o Senhor é poderoso para nos assombrar com seus gestos.

Na verdade, o que deve ser questionado nestes apelos é a superficialidade do conteúdo. A fé cristã possui mais de dois mil anos de história; e algo muito básico mudou nas pregações dos “porta-vozes” do Evangelho. Não se prega mais arrependimento!

Quem leu o Evangelho sabe que a sua mensagem principal é o chamado ao arrependimento. Ele é uma oferta de anistia ao homem rebelde. O converso à fé cristã não era atraído por possibilidades temporais, status, conforto ou segurança material que Jesus poderia lhe dar. Pelo contrário, nos primórdios seguir a Jesus era como se apossar de um selo que o distinguia de todos; um selo que evidenciaria sua escolha e que o tornaria alvo de perseguições. Claro, a mensagem subversiva do Evangelho por si mesma era uma afronta aos religiosos judeus, ao império romano e aos valores da sociedade de seu tempo – o Evangelho na sua essência ataca a religiosidade mórbida, despreza os poderes terrenos e propõe um estilo de vida extravagante que se opõe duramente aos valores deste mundo.

“Arrependei-vos, pois é chegado o Reino de Deus”, proclamou Jesus logo ao iniciar seu ministério (Mt 3. 2). Essa também era a pregação de João Batista, quando anunciava acerca da manifestação do Messias (Jesus). Também foi essa a pregação de Pedro no seu primeiro sermão público: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”. Estes são alguns dentre os vários textos nos quais a humanidade é chamada ao arrependimento para perdão dos pecados.

E arrependimento era entendido por uma mudança de pensamento. Conversão não significava ceder ao assédio proselitista de pregadores sectaristas. O converso passava a enxergar a si mesmo, a Deus e à humanidade com outros olhos. Caiam-se as escamas e este, pela pregação do Evangelho, tinha sua visão ampliada. De forma que este novo homem, agora, tinha consciência de si mesmo – e a partir daí, da vida em sua totalidade. Ele não ia até Jesus para ganhar alguma benção material, embora ela pudesse acontecer e talvez também fosse esperada, mas o verdadeiro converso aceitava o Evangelho por ter compreendido sua situação diante de Deus e entendido que era carente de perdão.

E tudo isso era acompanhado de mudança de conduta, como no caso de Zaqueu, o publicano, que se comprometeu a restituir àqueles a quem abusou quando do exercício de suas funções de cobrador de impostos (Lc 19. 2-9).

Hoje tudo tem sido bem diferente. Basta ligarmos a televisão e assistir-mos aos programas religiosos. O que vemos e ouvimos são convites para um tipo de aglomeração que mais se parece com uma reunião para compras num centro comercial. Algumas instituições religiosas transformaram-se em supermercados e shoppingns da fé. Nestes lugares não importa se você conhece ou não alguém, se há identificação entre consumidor e vendedor, se a propaganda é boa ou honesta, não importa se você gosta dos outros consumidores ou se terá algum tipo de comunhão com eles. Para os donos do negócio, o mais importante é que você tenha alguma quantia de dinheiro, há produtos de todos os preços. E para os consumidores, basta que o produto seja instantâneo e eficaz!

A velha galeria dos heróis da fé, que era fator de motivação para se caminhar com Deus ainda que na adversidade, foi substituída pela galeria de mercadorias da fé. A dispensa que antes era guardadora de bens de toda sorte que deveriam ser distribuídos entre os cristãos foi trocada por prateleiras de produtos que são comercializados em rituais de uma religião de consumo. Uma religião que só é eficaz para aqueles que podem se sacrificar financeiramente. Uma fé mesquinha que não se preocupa com a dor do próximo – ainda que finja descaradamente que sim.

Estamos vivendo o tempo da religião da inafetividade. Essas “igrejas” não formam comunidades de fé. Não possuiem, em contraste com as igrejas de outrora, reuniões para comunhão, não se fala dos dons que Deus concede a cada crente para que sirva ao seu próximo, não se fala de transformação social, não se apregoa afeto.

E o Evangelho, onde ele está no meio disso tudo? Bem, há alguns anônimos que o têm pregado por aí. Há algumas comunidades humildes e sinceras que o têm vivenciado; há alguns pregadores que ainda não se venderam à religião do mercado; há alguns que ainda se opõem a tudo isso. Muitos destes, de tanto resistir às pressões, chegam a se questionar sobre a validade de sua luta.

Não deve mesmo ser fácil viver uma vida simples e observar os novos “apóstolos” esbanjando glamour e riqueza nos seus carros importados, encastelados em mansões, exercendo influência considerável diante de uma enorme massa de fiéis...

No entanto, Graças a Deus, estes questionamentos não são nada além de alguns segundos de devaneios, que são solapados pelo sentimento de asco que toma conta destes corações legitimamente pastorais, fazendo com que eles permaneçam olhando para o alvo, e, assim como Jesus, rejeitem as ofertas de Satanás.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tempo de quietude (18/11/2009)

Tempo de quietude
Ricardo Agreste

Na vida do rei Davi, os desertos se tornaram o convite de Deus para um tempo de contemplação e reflexão.
Eu estava de saída para uma viagem a Santiago do Chile, a fim de participar de uma conferência com pastores e líderes locais. Ainda no aeroporto, aguardando o vôo, conversava com Deus sobre o meu momento de vida. Dentre muitas coisas, pedia ao Senhor sabedoria e orientação diante do cenário que me envolvia. Semanalmente, novas oportunidades surgiam diante de mim; novas demandas emergiam em minha agenda e novas conversas aqueciam meu coração para projetos aparentemente fascinantes.
Estava preocupado diante de tudo aquilo que acontecia. Sei que uma das razões que fazem com que homens e mulheres de Deus acabem por se perder, mesmo que bem intencionados em suas motivações iniciais, é a falta de uma clara percepção acerca do mover de Deus em suas vidas. Muitos passam a entender que toda oportunidade que surge é uma porta aberta pelo Senhor, ou que toda demanda que emerge é um desafio lançado pelo Espírito Santo. Há também aqueles para quem qualquer conversa que lhes aqueça o coração é uma visão de Deus que precisa ser assumida.
Para os que enxergam a vida nesta perspectiva, o mover de Deus acaba se confundindo com o empreendedorismo de nossos tempos ou com o anseio insaciável de nossas almas por sermos tidos como pessoas relevantes diante do mundo. Para gente assim, o mover de Deus sempre as convida para um tempo de ir, correr e vencer. Não existe a possibilidade de o Senhor chamá-las a um tempo de ficar, aquietar-se e renovar-se. Por isso mesmo, querendo conquistar o mundo, acabam, infelizmente, perdendo a própria alma. Em meio às muitas oportunidades, demandas e desafios, confundem a ação do Senhor com as expectativas do meio ou com os anseios de seus próprios corações.
Na vida do rei Davi, os desertos se tornaram o convite de Deus para um tempo de contemplação e reflexão. Ele era um homem movido por desafios e com constante ímpeto para a ação – por isso, parece que somente em meio às adversidades ele encontrava tempo para redimensionar seu próprio coração. Assim, quando lemos as orações de Davi no livro de Salmos, percebemos um homem sondando sua própria alma e procurando perceber a ação de Deus em sua vida. Em situações de adversidades, dores e aflições, Davi se convencia de que seu Deus não o convidava constantemente a ir, correr e vencer; mas, em algumas ocasiões, o impelia a ficar onde estava, aquietar o coração e renovar sua alma.
Maria, irmã da superativa e dinâmica Marta, viveu uma situação diferente. Em sua vida, o tempo de ficar, aquietar-se e renovar-se não é fruto de uma situação criada por Deus, mas de opções que precisava fazer. Cercada por gente constantemente voltada para a ação, que enxergava cada oportunidade como porta aberta pelo Senhor, cada demanda como um desafio do Espírito e cada conversa como visão de Deus, torna-se normalmente mais difícil encontrar espaço para aquela reflexão espiritual. Mas Maria rompe com seu ambiente, resiste às expectativas que as pessoas à sua volta tinham acerca de si e resolve sentar-se aos pés de Jesus para ouvi-lo. Jesus, por sua vez, encoraja a opção feita por Maria, demonstrando que na caminhada cristã há, sim, tempo de simplesmente ficar, aquietar-se e renovar-se.
Mas o maior exemplo de que Deus nos convida a esses momentos encontra-se na própria vida de Jesus. Em seu curto ministério terreno, Cristo tinha um enorme desafio diante de si. As demandas eram inúmeras; as necessidades, infindas, e as frentes de trabalho, imensas. No entanto, vemos nos Evangelhos episódios em que o Filho de Deus sobe montes ou procura lugares desertos a fim de simplesmente ficar, aquietar-se e renovar-se na presença do Pai. Apesar da pressão das multidões, ele afastava-se em submissão ao mover de Deus para um tempo de silêncio e descanso. No entanto, este não era um tempo de contraponto à sua missão – mas sim, um espaço integrante e essencial na mesma.
Durante uma manhã livre naquela viagem a Santiago, um querido e antigo amigo me levou para subir as cordilheiras até um lugar chamado Vale Nevado. Fomos e voltamos conversando sobre muitas coisas. Há muito tempo não tinhamos oportunidade de nos falar. No entanto, em meio às muitas palavras e diante de paisagens fantásticas, deparei-me com uma cena que me chamou a atenção. Do local, podiamos contemplar um enorme e fantástico monte coberto de neve. Seu aspecto era imponente e fascinante. Era impossível passar por ali sem admirá-lo. Mas ainda no mesmo foco de visão, bem mais próximo de nós, na margem da estrada, inúmeras árvores com seus galhos completamente secos contrastavam a imponência e fascínio da montanha branca.
Minha atenção ficou dividida entre as duas cenas contrastantes. Foi então que meu amigo, olhando para aquelas árvores, disse: “Interessante, não? Elas parecem mortas. Quem olha pensa que não resistiram ao inverno. No entanto, estão assim porque, percebendo o rigor da estação fria, concentram suas forças e energias no caule. As folhas caíram e os galhos secaram, mas toda a sua vitalidade encontra-se concentrada no caule. Para elas, agora não é o tempo de florescer, mas de resguardar-se para, no tempo certo, voltar a produzir folhas, flores e frutos. Este é o ciclo da vida.”
Ouvindo aquelas palavras e tendo os meus olhos fixos naquelas árvores, ouvi a resposta de Deus para a oração que havia feito antes de partir do Brasil. Nem sempre é hora de ir, correr e vencer. Existem tempos em que o Senhor nos convida a ficar em sua presença, e ali aquietar nossa mente e renovar nossa alma. Em meio a tantas coisas e situações que nos envolvem, precisamos ter a sensibilidade para perceber que o Senhor, por vezes, não deseja que façamos tudo ou aceitemos todos os desafios. Existe também o tempo em que seu mover nos convida a concentrarmos nossas forças e energias no que é essencial e imprescindível: a nossa relação com ele.
Às vezes, como acontecia na vida de Davi, Deus precisa criar desertos em nossa história para nos convencer desta verdade. Noutras situações, assim como o fez Maria, podemos exercitar nosso poder de decisão contra o meio que nos impele a constante atividade, optando por simplesmente quedar-nos aos pés de Cristo. Mas também podemos olhar para Jesus e perceber o convite para vivermos em maturidade, integrando este tempo como parte essencial e imprescindível da missão de Deus para as nossas vidas.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Coragem para ser (17/11/2009)

Coragem para ser
Humberto Ramos - http://visaointegral.blogspot.com

Ser quem nós realmente somos talvez seja o nosso maior desafio na caminhada da vida. Isso porque esta decisão pode implicar em desagradar outras pessoas (ou pelo menos não agradar a todas), desapontar aqueles que criam certas expectativas em relação a nós, decepcionar os que nos admiram tendo apenas uma visão parcial daquilo que somos ou até mesmo nos conhecendo somente pela aparência.

Assim sendo, não são todos que possuem coragem para assumir sua própria e verdadeira personalidade. Alguns escolhem esconder-se atrás de uma personagem, uma fantasia pública que oculta uma série de aspectos intrínsecos à identidade pessoal. São estes os hipócritas, os mentirosos, os artistas da vida real.

Conheço muitos mentirosos, até mesmo tenho alguns amigos que, eu bem sei, mentem muito a respeito de si mesmos. São o tipo de gente que chamamos de “contadores de vantagem”, em tudo se dão bem, sempre possuem uma faceta extraordinária para contar; existem também os que se anulam totalmente para esconder características e fatos, em suas opiniões, vergonhosos ou desapontadores. Não raras pessoas vivem disso, enganando aos outros e a si mesmas. Porque é isso que a mentira é: a ilusão da auto-enganação.

O grande problema não percebido pelos mentirosos de carteirinha é que uma das pistas para a felicidade é justamente ser que nós somos na essência. Não importa a situação financeira, o status quo, ou qualquer outra coisa. Ainda que queiramos modificar algo em nós mesmos – não há problema nisso –, a melhor trilha a percorrer é a que reconhece e dá a conhecer aos outros quem somos no momento em que o somos.

Representar uma personagem por muito tempo sufoca. É um fardo inútil e castigador, e isso qualquer um que já abandonou suas máscaras pode confirmar. Isto se deve ao fato que, quando deixamos a essência e vivemos pela superficialidade das máscaras, deixamos a liberdade do “eu” para servirmos ao um outro “eu” – avassalador, exigente e cruel.

Infelizmente, ao longo dos meus dias, tenho podido conhecer a vida de muitos amigos e irmãos, muitos deles sufocados em suas fantasias públicas, mentirosas. Posso atestar que sofrem, e sofrem porque, no caso deles, muitas das vezes é realmente duro ter que assumir quem são. Mesmo assim, sempre procuro encorajar para que vivam em honestidade para com eles mesmos e para com os seus chegados.

Particularmente, a cada dia encontro mais liberdade, ao passo que vou me libertando de máscaras simplórias, que nada dizem de verdade ao meu respeito. Encontro-me cada vez mais livre, ao passo que deixo de lado minhas próprias defesas e o peso do desejo de ter que agradar sempre, ou convencer sempre, ou não decepcionar sempre...

Assumir-se a si mesmo é tarefa custosa, é desafio perene, é nadar quase sempre contra a maré, e só toma tal decisão quem já se tornou maduro em sua humanidade. Estamos em processo de constante evolução pessoal, a maturidade é nosso alvo! Só quem caminha ao seu encontro (da maturidade) caminha ao encontro de si próprio, confirmando sua consciência e adquirindo forças para voar mais alto.

Os imaturos, esses, sim, estão perdidos na multidão, visto que estão perdidos em relação a si próprios, alienaram-se a ponto de não saber mais quem são.

É preciso coragem para ser, contudo quem já a possui está na via certa, e, sem dúvidas, está próximo de encontrar a liberdade e satisfação pessoal.

“Ser ou não ser, eis aí a questão...” Só consegue ser quem na verdade é o que é!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Diretoria 2010




Parabéns a nova diretoria da Mocidade para o ano de 2010 !!

Presidente: Gil
Vice-Presidente: Dani
Missões: Jaque Chu
Eventos: Hué
Louvor: Jenni

"Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. Então disse aos seus discípulos: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita"."
Mateus 9:35-38

"Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil."
I Co 15:58

Oração simples (16/11/2009)

Oração Simples
Ed René Kivitz - http://www.ibab.com.br

Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita. A Bíblia Sagrada ensina que se deve orar a respeito de tudo. Orar por qualquer motivo, qualquer hora, qualquer lugar, sempre que o coração não estiver em paz. Tão logo o coração experimente apreensão, preocupação, medo, angústia, enfim, seja perturbado por alguma coisa, a ação imediata de quem confia em Deus é a oração.

O apóstolo Paulo diz que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, devemos apresentar nossos pedidos a Deus, tendo nas mãos a promessa de que a paz de Deus que excede todo o entendimento, guardará nossos sentimentos e pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.6,7). A expressão "coisa alguma" inclui desde uma vaga no estacionamento do shopping center quanto o fechamento de um negócio, o desejo de que não chova no dia da festa quanto a enfermidade de uma pessoa querida.

Esta experiência de oração é chamada de oração simples: orar sem censura filosófica ou teológica, orar sem se perguntar "é legítimo pedir isso a Deus?" ou "será que Deus se envolve nesse tipo de coisa?". Simplesmente orar.

A garantia que temos quando oramos assim é a paz de Deus em nossos corações e mentes. A Bíblia não garante que Deus atenderá nossos pedidos exatamente como foram feitos: pode ser que a vaga no estacionamento não seja encontrada e que chova no dia da festa. A oração não se presta a fazer Deus trabalhar para nós, atendendo nossos caprichos e provendo o nosso conforto. Já que a causa da oração simples é a ansiedade, a resposta de Deus é a paz. O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora. A mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, a mudança do coração e da mente da pessoa que ora é uma realidade. Deus não prometeu dizer sim a todos os nossos pedidos, mas nos garantiu dar paz e nos conduzir à serenidade. Não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte, mas nos garantiu que estaria lá conosco e nos conduziria em segurança através dele.


O maior fruto da oração não o atendimento do pedido ou da súplica, mas a maturidade crescente da pessoa que ora. Na verdade, a estatura espiritual de uma pessoa pode ser medida pelo conteúdo de suas orações. Assim como sabemos se nossos filhos estão crescendo observando o que nos pedem e o que esperam de nós, podemos avaliar nosso próprio crescimento espiritual através de nossos pedidos e súplicas a Deus. As orações revelam o que realmente ocupa nossos corações, o que realmente é objeto dos nossos desejos, o que nos amedronta, nos desestabiliza e nos rouba a paz.

O apóstolo Paulo diz que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Mas quando se tornou homem, deixou para trás as coisas de menino (1Coríntios 13.11). Não existe oração certa e errada. Mas existe oração de menino e oração de homem. Oração de menina e oração de mulher. A diferença está no coração: coração de menino e de menina, ora como menino e menina. A nossa certeza é que Deus também gosta de crianças.